Friday, November 30, 2012

Abaixo o gorro de papai noel !!!


O cidadão na foto ao lado foi preso durante um protesto contra o gorro do papai noel. Ele pertence à ONG "Gorrinho Nunca Mais", uma organização que luta contra a opressão de empregadores que insistem em obrigar seus funcionários a usar roupas e adereços ridículos em datas comemorativas.

O militante preso ontem afirma que é necessário inserir direitos anti-mico na CLT, e que o ministério do trabalho deve fiscalizar de perto os abusos cometidos pelos empregadores:


No começo esta moda era exclusiva dos supermercados, depois vieram as lojas, as companhias aéreas, onde isso vai parar? Qualquer dia vou chegar doente em uma emergência de hospital e ser atendido por ou médico vestido com o gorrinho, "ho ho ho, feliz natal, aproveite porque esse pode ser seu último hein rapaz? Ho ho ho!!!"

A ONG propõe, entre outras coisas, que seja instituído na lei trabalhista o adicional de ridicularidade (assim como existem os adicionais de periculosidade e insalubridade), pelo menos desta forma o funcionário teria algum tipo de compensação pelo fato de se vestir como um palhaço durante seu expediente de trabalho. Já tramita no congresso um projeto de lei que prevê este benefício.

Existe, por outro lado, um forte lobby da indústria dos gorrinhos, que no ano passado faturou mais de 5 bilhões de reais. Representantes da indústria já estão pressionando parlamentares a votar contra a medida. É improvável que os deputados se comovam com o drama vivido pelos trabalhadores "engorrados", uma vez que eles dificilmente trabalham em dezembro.

(Este post já foi publicado neste blog em 2006, mas como até agora nada foi feito e a febre dos gorrinhos só aumenta resolvi republicar uma versão revisada)

Tuesday, November 27, 2012

João Gilberto e o RH

As empresas multinacionais e as grandes empresas brasileiras estão cada vez mais preocupadas com seu time de colaboradores (funcionário é uma palavra proibida entre o pessoal do RH).

O acesso a capital abundante e financiamento barato diminuem as barreiras de entrada e são cada vez mais as pessoas que fazem a diferença no resultado da empresa.

Como consequência disso seus departamentos de Recursos Humanos (o antigo DP, mais um termo proibidaço) vem ganhando força.  Com cada vez mais gente e recursos, os RH se dedicam incessantemente a identificar, contratar e reter "talentos", identificar os "gaps" dos seus profissionais, avaliar constantemente seu quadro de pessoas e montar uma "linha de sucessão". É importante identificar os "high potentials", de forma a treiná-los, motivá-los e remunerá-los adequadamente.

Até pouco tempo atrás um Gerente Jurídico, por exemplo, precisava conhecer do assunto e entregar no prazo pareceres, contratos e outros documentos.  Hoje isso não basta: é preciso ter espírito de liderança, saber trabalhar em equipe, pensar "fora da caixa", fazer mais com menos, ter "executive presence", possuir "people skills", poder de negociação etc.  É de se esperar que o contrato que você precisa não chegue no prazo...

Entregar é importante, é fundamental ter comprometimento, mas tudo isso sem esquecer as não menos importantes "competências" descritas acima, o colaborador precisa ser uma espécie de Roger Federer, que joga 5 sets e termina o jogo com cara de quem acabou de sair do banho.

A avaliação constante é imprescindível, normalmente em 360 graus, e muitas empresas começam a adotar uma reunião de gestores para discutir forças e "gaps" dos talentos subordinados a cada um.

Nesta reunião é comum o Diretor industrial emitir comentários sobre o pobre coitado do gerente jurídico, apesar do mesmo não ser subordinado a ele.  É preciso atender bem não apenas seu chefe, mas seus pares e "clientes internos".

Segue abaixo uma discussão sobre a performance do grande mestre João Gilberto pela diretoria:

- Bom, vamos agora ao João Gilberto. Gostaria de começar pelas forças e depois falar dos "gaps".

- Sem dúvida, o João é um profissional competente no que faz, conhece do assunto e entrega seu trabalho com qualidade.


- Pois é, é um profissional senior, experiente, muito atento aos detalhes.
- Passa senioridade no vestir, está sempre de terno, é discreto.

porém...

- Bom, a primeira coisa que me incomoda no João é a dificuldade que ele tem em trabalhar em equipe, é sempre aquela coisa "um banquinho, um violão", não percebo ele interagindo muito com outros colegas.
- Além do mais, percebo no João uma certa resistência a mudanças, esse negócio de "só danço samba, só danço samba" ficou ultrapassado, o gestor moderno precisa dançar conforme a música, ter flexibilidade.
- Concordo, em alguns casos percebo que ele não promove a diversidade, um valor essencial da empresa, me preocupa essa atitude de "quem não gosta de samba, bom sujeito não é".
- Verdade, não queremos ter uma equipe homogênea, a diversidade e a aceitação de diferentes pontos de vista é fundamental.
- Vejo nele uma certa resistência em relação a "feedbacks" negativos, essa coisa de mandar a platéia calar a boca e falar que "vaia de bêbado não vale" não leva a nada.
Devemos entender o motivo da vaia para promover uma constante melhora em nossos processos.

alguém tem mais alguma coisa a dizer?

- Creio que o cancelamento do show em São Paulo em cima da hora foi uma atitude inaceitável.
- Pois é, é uma pena, depois as pessoas reclamam que não têm oportunidade.  Quando têm, jogam fora.
- Esses pontos que levantamos não são de hoje, há anos damos o mesmo feedback e ele não muda.
- Concordo, é uma pena demitir um profissional como o João, que já contribuiu tanto para essa organização, mas não creio que exista outra opção...


Gostou?

Leia também:

Bossa Contemporânea

Papai Noel Rosa

Monday, November 26, 2012

Filosofia for Dummies

Estou voltando a escrever após mais de um ano sem postar nada por aqui.  A idéia do Boraver sempre foi ser um blog leve, que não leva a vida tão a sério, me proponho aqui a voltar as origens.


Filosofia for Dummies:

Eu me considero um cara relativamente culto, bem informado e "antenado", mas nunca tive muito saco pra ser intelectual.  Li apenas alguns clássicos literários e pouquíssima coisa (dos autores originais) em relação a questões existenciais e filosóficas.  Isso não quer dizer que eu não me interesse por esses assuntos, mas prefiro algo um pouco mais mastigado.

Além disso é inegável a força da cultura popular, ser intelectual ao extremo pode isolar a pessoa da grande maioria da população.  Não precisa assistir Avenida Brasil, mas é legal saber pelo menos quem é Tufão e Carminha.  Não precisa ler a Caras, mas é desejável saber que a Giselle Bunchen está namorando o Tom Brady (quarterback do New England Patriots), e não mais o Leonardo de Caprio ou o Kelly Slater.  Saber o básico ajuda o intelectual a se conectar com o cidadão comum, e ficar um pouco menos aborrecido quando todo mundo ao seu redor só fala do último capítulo da novela e se pergunta:  Quem matou Max?

Tudo bem, admito que existem extremos.  Eu por exemplo não consigo escutar música sertaneja, technobrega ou qualquer axé composto após 1995 (os mais antigos servem, se você tem entre 30 e 40 anos, para animar final de festa devido aos inevitáveis flashbacks do Recifolia e dos shows no Circo Maluco Beleza)... Mas ter muitas restrições em relação à cultura popular não é recomendável.

A razão deste post no entanto, é o contrário, é mastigar ainda mais o que eu já leio mastigado, é deixar o atacante na cara do gol, sem goleiro.  Na verdade a cultura popular nasce dos grandes pensadores, e depois vai descendo na boquinha da garrafa.

Friedrich Nietzsche - Filósofo Alemão do século 19


Era um cara que pregava que não havia Deus nem ressurreição e portanto só esta vida importa.  Reclamava da sociedade da época por tornar a vida das pessoas um puta saco (a única vida, já que não vai ter nada depois dela), e pregava que o indivíduo devia mandar a sociedade à merda e seguir seus instintos,  ou seja, chutar o pau da barraca.

Seguidores de Nietzsche na música:

Lulu Santos

"Vamos viver tudo que há pra viver, vamos nos permitir…"

Sheryl Crow

"All I want to do is have a little fun before I die"

Menudo

"Não segure muito teus instintos, isso não é natural, não se reprima"

Raul Seixas

"Então vai, faz o que tu queres pois é tudo da lei"

Arthur Schopenhauer - (outro) Filósofo Alemão do século 19


Era um sujeito super pessimista, julgava que a supressão do desejo (impulso inconsciente) pela consciência, juntamente com a tendência humana em jogar-se em uma cadeia perpétua de aspirações, condenavam o homem ao eterno sofrimento.  Para ele o prazer constitui apenas a supressão momentânea da dor.


Seguidores de Schopenhauer na música:



Só pra contrariar:

"Me sinto tão carente em conseqüência desta dor que não tem dia em tem hora pra acabar"

Vinícius de Moraes

"Tristeza não tem fim, felicidade sim"

Los Hermanos

"Sei, que a tua solidão me dói, e que é difícil ser feliz mais do que somos todos nós"

The Smiths

"I was looking for a job, and then I found a job, and heaven knows I'm miserable now"


Heráclito - Filósofo grego do século 4 A.C.


Pertencia ao grupo de pensadores pré-socráticos (aqueles que vieram antes de Sócrates, favor não confundir com o Dr. Sócrates, do Corínthians e da seleção de 1982).  Era defensor, assim como os demais pré socráticos, de que tudo é movimento, e que nada pode permanecer estático.


Seguidores de Heráclito na música:


Lulu Santos (de novo):



"Nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia"

Kelly Key

"Você não acreditou, você sequer notou, Disse que eu era muito nova pra você
Mas agora que cresci você quer me namorar"

Scorpions

"The wind of change blows straight Into the face of time"

Chico Buarque

"Eu fui à Lapa e perdi a viagem, pois a tal malandragem, não existe mais"

Furacão 2000

"Beijo na boca é coisa do passado agora a moda é, é namorar pelado"