Monday, December 31, 2012

O BOPE veste Prada - Parte 02



Para abrir o ano com chave de roda...

O BOPE veste Prada - Parte 02
Cap. Nascimento busca um substituto


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Para quem ainda não assistiu, veja abaixo o primeiro vídeo da série


O BOPE veste Prada - Parte 01
"Eu não sou um policial comum"


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Negócios do Futuro - O "Resort Educacional"

Estava há pouco tempo a conversar com um amigo que tem um filho em idade escolar. No caso dele, que mora em São Paulo, o garoto está indo para o oitavo ano (antiga sétima série).  Acabamos discutimos um pouco sobre os custos e a "logística" envolvidos no processo de criar, manter e educar um pré-adolescente na maior cidade do país.

Alem da mensalidade de valor astronômico, um outro fato me chamou a atenção: O período é integral (não é assim em todas as escolas, mas este modelo vem crescendo na cidade). O garoto entra na escola às 8h e só sai às 18h, durante este período, alem de aulas também participa de atividades extra curriculares, como esportes, artes, etc.

Na visão de um economista está claro o que a escola está fazendo, ela está se apropriando de uma parcela maior do “share of wallet” dos pais do aluno, que, em vez de dividir seus gastos entre a escola, curso de inglês e academia (ou clube), acaba concentrando tudo em apenas uma fatura, e como vantagem adicional não têm que se preocupar com a sempre complicada logística de um filho pré-adolescente.

Em um tempo de pais cada vez mais ocupados e de uma percepção de risco maior dos pais em relação aos filhos (violência, conteúdo impróprio na internet, drogas, etc.), nada mais cômodo do que “terceirizar” seu pupilo durante o horário de expediente a uma instituição de confiança, mesmo que o preço de tal conforto seja um tanto salgado.  O próximo passo na busca pela maximização do share of wallet dos pais do aluno seria, sem dúvida, o internato.

O colégio interno já teve seus dias de glória, na época dos meus pais muitos dos filhos de endinheirados do interior iam estudar em Recife, onde eram internados nestas instituições. Algumas crianças e adolescentes da capital acabavam tendo o mesmo fim, normalmente como castigo, fruto de mau comportamento ou notas baixas. Todo o conceito do internato estava baseado na disciplina.  Normalmente comandado por padres ou freiras, o colégio  interno mantinha os alunos na rédea curta e, por isso mesmo, não é recordado pelos ex-alunos como um lugar do qual sintam saudades. Com o tempo a população se concentrou nas cidades, os pais começaram a se sentir tanto ou quanto culpados de "largar" seus filhos em internatos, e o modelo caiu em desuso.

Desta forma a volta do internato nos moldes tradicionais já não cabe na sociedade em que vivemos, para convencer pais e alunos a escolher esta opção faz-se necessário um conceito repaginado, o ”resort educacional”.

Ao contrário do que acontecia na década de 50, os pais não possuem mais autoridade completa sobre os destinos e escolhas dos seus filhos, além de terem criado, ao longo dos anos, uma crescente complacência em relação aos rebentos, talvez fruto da culpa que sentem por se considerarem ausentes para com a família. A internação forçada não seria mais aceita pela sociedade do novo milênio, e os pais provavelmente se tornariam párias em seu círculo social. O “resort educacional” precisa não só conquistar os pais, mas também atrair o filho.  O aluno precisa querer ser interno!!!

Para garantir um programa acadêmico consistente, que transmita aos pais a sensação de que seus filhos estão aprendendo e se desenvolvendo, é necessário o envolvimento no projeto de uma instituição de ensino conceituada e de qualidade inquestionável. Para garantir uma atmosfera encantadora ao aluno, que faça com que o mesmo se sinta como se estivesse em uma eterna colônia de férias, sentindo o mínimo possível de saudades do mundo exterior, é necessário o envolvimento no projeto de uma cadeia hoteleira de alto nível, nasce o Bandeirantes Marriott, o primeiro resort educacional do país:



“Localizado em Atibaia, o Bandeirantes Marriott traz comodidade aos pais bem sucedidos e atarefados do nosso tempo, mas que não abrem mão de uma boa educação para seus filhos. Ao invés de conviver com babás e motoristas, os alunos do BM têm à sua disposição professores, monitores e educadores com a mais alta qualificação nas mais diversas áreas de conhecimento, que incentivam os mesmos a explorar constantemente seu pensamento critico e raciocínio analítico.

No BM o aluno conta com acompanhamento 24 horas, pensão completa e monitoramento constante via internet para que os pais possam acompanhar cada passo dos seus filhos. O resort oferece, alem de um sólido programa acadêmico, uma gama interminável de atividades extra curriculares, que vão desde golfe até aulas de culinária com chefs consagrados. No Bandeirantes Marriott a otimização logística chega à perfeição, garantindo que o aluno não precise sair para nada, já que pode contar, entre outras coisas, com atendimento medico, odontológico e psicológico.

Criando uma atmosfera de perfeita integração com a paisagem bucólica, as charmosas e alegres acomodações do Bandeirantes Marriott oferecem muito conforto e comodidade aos alunos. São 363 unidades, entre apartamentos, suítes e bangalôs. Nas salas de aula, decoradas por Sig Bergamim, tudo foi pensado para proporcionar o ambiente perfeito para o aprendizado.

O resort oferece completa flexibilidade, permitindo que os pais ”solicitem“ seus filhos quando quiserem, seja para dormir em casa, passar o final de semana ou simplesmente encontrá-los para o jantar. O serviço de “transfer” do Bandeirantes Marriott entrega e recolhe o aluno onde os pais estiverem. Garantindo que pais e filhos convivam sempre que quiserem e não convivam sempre que não quiserem, promovendo um relacionamento saudável e feliz.

Bandeirantes Marriott resort educacional, seu filho em boas mãos.”



Obs - este é um texto meu de 2009, publicado aqui neste mesmo blog, revisado e atualizado.

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Saturday, December 29, 2012

Filosofia da sessão da tarde - Karate Kid

"Este moleque se meteu numa tremenda enrascada, e para sair dessa vai precisar de uma mãozinha de um mestre das artes marciais"
(chamada típica da Globo nos anos 80)

Segue o quarto (e último) filme da série "Filosofia da Sessão da Tarde".




Karate Kid - A Hora da Verdade (The Karate Kid) - 1984

Ralph Macchio (Daniel Larusso), Pat Morita (Sr. Miyagi), William Zabka (Johnny Lawrence)


Daniel LaRusso (Ralph Macchio), um colegial, move-se com sua mãe de Newark, Nova Jersey para Reseda, um bairro na região do Vale de San Fernando, Califórnia. O zelador do seu conjunto de apartamentos é um excêntrico, mas bondoso e humilde imigrante de Okinawa chamado Sr. Miyagi (Pat Morita).

Daniel se torna amigo de Ali Mills (Elisabeth Shue), uma líder de torcida da escola bonita e atraente, irritando o arrogante ex-namorado, Johnny Lawrence (William Zabka). Johnny é o melhor aluno da Cobra Kai dojo, onde é ensinada uma forma violenta de artes marciais, sem só nem piedade (o treinamento na Cobra Kai segue o modelo "BOPE"). Daniel conhece um pouco de karate de livros e algumas aulas, mas Johnny facilmente o derrota em seu primeiro encontro.

Daniel segue sofrendo bullying (na época devia ter outro nome) de Johnny e sua turma. Voltando para casa pós uma festa a fantasia, Daniel é cercado pelos inimigos e sofre uma baita surra (as semelhanças com o BOPE continuam pois Johnny e seus comparsas usam fantasias de caveira).

O massacre é interrompido pelo Sr Miyagi, que, mesmo em final de carreira, é capaz de derrubar cinco caveiras e resgatar Daniel ainda com vida. No dia seguinte, Daniel e Myiagi vão até a Cobra Kai para falar com o dono da academia, John Kreese (Martin Kove), ou simplesmente "sensei" (uma alma gêmea do capitão Nascimento, inclusive na tendência de usar bordões do tipo "o inimigo não merece compaixão"). Myiagi convence Sensei a mandar Johnny parar com o bullying, desde que Daniel se proponha a enfrentá-lo novamente em um torneio dali a dois meses.

Durante esse período, Sr. Myiagi se dedica a treinar Daniel através de uma filosofia Zen Budista (Pinte a cerca, pra cima, pra baixo, pra cima, pra baixo). Um tanto frustrado com as primeiras aulas, Daniel vai aos poucos ganhando confiança no método do velho Myiagi.


No dia do torneio, Johnny confirma o favoritismo chegando à final com facilidade. Na segunda semi-final, Daniel tem que lutar contra Bobby (outro "caveira" da Cobra Kai). Sensei ordena a Bobby quebrar a perna de Daniel através de um golpe proibido. Pela lógica de Sensei, Bobby seria desqualificado, mas com Daniel sem condições de luta Johnny seria o campeão.

Bobby executa o Golpe, é desqualificado e Daniel, classificado para a final, cai no chão com muita dor e faz o sinal pedindo a maca. No vestiário, Myiagi conversa com o preparador físico paraver se "Daniel San" terá condições de enfrentar Johnny.

Após algumas massagens e aplicações de "Gelol", Daniel volta ao tatame mancando, claramente contundido. Ao chegar ao seu posto, Daniel faz uma pose de bailarino do "lago dos cisnes". A pose ridícula de Daniel deixa Johnny confuso, tirando sua concentração. Neste momento Daniel executa um "duplo mortal twist carpado" (de dar inveja a Dayane dos Santos),e leva Johnny a nocaute, sagrando-se o grande campeão.

Análise sócio/psico/filosófica:

A identificação do espectador com o personagem Daniel San tem origens bíblicas, a velha paródia da vitória de Davi contra Golias. O triunfo do mais fraco sobre o mais forte. É como ligar a televisão no meio de um jogo entre Alemanha e Eslováquia: você sabe que provavelmente vai dar Alemanha, mas a tentação de torcer pela Eslováquia é simplesmente irresistível.

O diretor do filme torna a escolha ainda mais óbvia quando descreve o forte como frio, calculista e desleal, enquanto que o fraco (e seu mestre), transbordam virtude e humildade. Durante o treinamento, Sr. Miyagi passa sabedoria e ensinamentos profundos a Daniel, fala coisas sobre o céu, a terra, a água, o ar, coisas sobre o planalto central, também magia e meditação. Faz tudo isso com aquela expressão de suprema serenidade, enquanto cuida de sua coleção de "bonsais".

Sócrates (o filósofo, não o jogador), já no século 3 a.c. defendia que o conhecimento era o que havia de mais valioso, e julgava que o mal era consequência da ignorância. O reconhecimento da ignorância é o primeiro passo para a sabedoria, daí a famosa frase socrática "só sei que nada sei" (também usada pelo outro Sócrates em momentos de embriaguez). Ao reconhecer que nem pintar a cerca ele sabia, Daniel percebe o quanto precisa aprender.

A influência Socrática no método "Miyagiano" fica ainda mais clara na cena em que Daniel treina de olhos vendados. De acordo com o filósofo grego em seu "mito da caverna", o mundo invisível pode ser mais inteligível do que o visível, sendo o mundo visível, paradoxalmente, o mais obscuro. Enfim, é até difícil de entender porque Myiagi, com a inteligência de um Stephen Hawkins e a habilidade no tatame de um Anderson Silva, acabou aceitando um emprego como zelador...


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Filosofia da sessão da tarde - De Volta para o Futuro
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Filosofia da sessão da tarde - De volta para o futuro

"Tem muita ação e emoção numa aventura eletrizante na Sessão da Tarde"
(chamada típica da Globo nos anos 80)

Este é o terceiro post da série "Filosofia da Sessão da Tarde".  O filme a ser analisado a seguir acabou se transformando numa trilogia, mas vamos focar no filme 1, que deu origem à série e que teve incontáveis exibições na referida sessão.

De Volta para o Futuro (Back to the future) - 1986


Michael J. Fox (Marty McFly), Christopher Lloyd (Dr. Emmett Brown), 


Marty McFly é um adolescente vivendo com uma família sem vida e sem ambição na cidade de Hill Valley, Califórnia. Seu pai, George McFly, é constantemente intimidado por seu supervisor de trabalho, Biff Tannen, e sua mãe infeliz, Lorraine Baines McFly, está acima do peso e tem um problema com bebida. Almejando alcançar seu sonho de tornar-se um astro de rock, Marty e sua banda fazem um teste para tocarem em uma festa da escola, no qual acabam sendo rejeitados. Apesar do revés, a namorada de Marty, Jennifer Parker, o encoraja a não desistir de seus objetivos e acreditar em seu futuro. No jantar daquela noite, Lorraine conta à família como ela e George se apaixonaram quando seu pai o atropelou na rua.

Na madrugada do dia 25 de outubro de 1985, Marty encontra seu amigo, o cientista Dr. Emmett Brown, no Twin Pines Mall às 1:15 a pedido do Doutor. Lá, ele revela ao rapaz um DeLorean DMC-12 modificado para tornar-se uma máquina do tempo. O Doutor explica que o carro viaja para uma data programada ao atingir 88 milhas por hora de velocidade. Entretanto, antes que ele pudesse realizar sua primeira viagem, terroristas líbios - dos quais o Doutor recebera o plutônio para a produção de uma bomba e que ele enganara para poder utilizar o material em sua experiência - aparecem e o baleiam mortalmente (detalhe, Gaddaffi já era o presidente da Líbia em 1985, e até hoje o país não foi capaz de produzir armas nucleares). Indefeso, Marty tenta escapar no DeLorean, porém, durante a fuga, acaba alcançando a velociade de 88 milhas por hora e é transportado para 5 de novembro de 1955. Marty agora encontra-se sem o plutônio necessário para a viagem de volta e o carro desliga-se, deixando-o preso em 1955.

Ao explorar a Hill Valley daquela década, Marty acidentalmente encontra seu pai, George, como um adolescente que é intimidado por Biff. Quando George está prestes a ser atropelado pelo carro do pai de Lorraine, Marty o empurra salvando-o e recebendo o impacto em seu lugar. Como resultado, a jovem Lorraine fica apaixonada por ele e não por George (em um dos "merchans" mais famosos do cinema, Lorraine chama Marty de Calvin, pois McFly usava uma cueca Calvin Klein). Marty fica perturbado pelos flertes dela e parte da residência dos Baines para encontrar o jovem Doutor Brown de 1955. 


O rapaz eventualmente convence o incrédulo Emmet de que ele é realmente um viajante do tempo e pede sua ajuda para voltar a 1985. O Doutor explica que a única fonte de energia capaz de gerar 1,21 Gigawatts é um raio (1.2 GW representa cerca de 8% da capacidade instalada da usina de Itaipu, a segunda maior do mundo, realmente a economia de combustível não era o forte do De Lorean).  Marty então mostra a ele um panfleto que ele havia recebido no dia anterior na praça do relógio da Torre sobre um raio que havia atingido a Torre do Relógio da cidade, desativando-o desde então. O panfleto indicava que um raio iria atingir o relógio da corte judicial de Hill Valey no sábado seguinte às 22h04min. 


Com esta informação, o Doutor cria um plano para fazer a energia do raio ser direcionada para o Capacitor de Fluxo do DeLorean. Todavia, os dois observam uma complicação ao ver a imagem dos irmãos de Marty desaparecendo em uma foto: Marty impediu que seus pais se encontrassem e comprometeu a existência dele e de sua família (como no livro 1984, Marty corria o risco de ser "vaporizado").


Durante toda a semana seguinte, Marty tenta consertar o erro e salvar seu futuro com seus pais, porém ele só consegue que o interesse de Lorraine por ele vá gradativamente aumentando. Para poder fazer os dois se apaixonarem, Marty planeja fazer George "resgatar" Lorraine dos avanços sexuais encenados por ele na noite do baile "Encantamento do Fundo-do-Mar". Entretanto, o plano não corre exatamente como o planejado, já que Marty é interrompido por um embriagado Biff que inesperadamente surge, tirando Marty do carro e abusando de Lorraine. George aparece como planejado para resgatá-la de Marty, porém acaba encontrado Biff. Apesar das ameaças de Biff, George abandona sua costumeira submissão e o enfrenta pela primeira vez, lhe dando um forte soco no rosto, deixando-o inconsciente. Lorraine e George vão para o baile onde eles se beijam pela primeira vez, assegurando a existência de Marty e seus irmãos.


Com seu futuro salvo, Marty chega na cena do antecipado raio na torre do relógio onde o Doutor está fazendo os preparativos finais. Marty tenta avisá-lo sobre seu assassinato em 1985 com uma carta, porém o Doutor a rasga sem ler, com medo de alterar o futuro. Um enorme galho de árvore acidentalmente desconecta o arranjo de fios do Doutor para capturar a energia do raio, porém os dois consertam as conexões a tempo de enviar Marty e o DeLorean de volta para 1985.


Marty acorda na manhã seguinte para descobrir que sua família melhorou significativamente e está mais feliz. Lorraine está bem fisicamente, George se tornou auto-confiante e um autor de ficção científica de sucesso, Dave é agora um empresário e Linda não têm mais problemas em encontrar namorados. Mais notavelmente, George e Lorraine tem uma relação íntima que eles nunca tiveram, enquanto Biff se tornou um frentista de um posto de gasolina, além de agora ser submisso a George.


Cena antológica:


Após assegurar o beijo dos pais e a sua própria existência, Marty resolve dar à platéia dos anos 50 um "gostinho de futuro", interpretando a música "Johny B Goode". Segue o link abaixo:




Análise sócio/psico/filosófica:

O tema principal do filme é a viagem no tempo.  Tema que não é levado muito a sério pela comunidade científica, sendo mais abordado em obras de ficção científica, como o próprio filme "De Volta Para o Futuro".

A retro-causalidade (capacidade de voltar no tempo para influenciar em acontecimentos passados) foi sempre considerada uma contradição em si mesma, dado que, como já indicara o filósofo do século XVIII David Hume, ao examinar dois eventos relacionados, a causa, simplesmente, por definição, é o acontecimento que precede o efeito (é o interruptor que ativa a luz, e não à inversa).  Ainda, a capacidade de influir no passado sugere que os acontecimentos pudessem ser negados pelos seus próprios efeitos, originando um paradoxo físico, a mais conhecida é oparadoxo do avô (se viajo para o passado e mato o meu avô antes que este conheça a minha avó, como é que estou eu aqui para viajar para o passado e fazê-lo).  McFly quase acaba com sua própria existência ao interferir involuntariamente no relacionamento dos seus pais.

Outra menção importante é a inspiração do autor na tragédia grega de Sófocles "Édipo Rei", onde mãe e filho, desconhecendo tal parentesco, acabam se casando.  Ao contrário de Édipo, porém, McFly sabe que Lorraine se trata de sua mãe e evita a tragédia (que seria a sua não existência no futuro). Freud elevou o mito de Édipo a um dos pilares da psicanálise clássica. Na definição do Complexo de Édipo, Freud discute relações de poder e saber num drama encenado tipicamente por pai, mãe e filho.

Qualquer dúvida que ainda pudesse existir sobre a possibilidade de viagem no tempo é categoricamente negada pelo doutor em metafísica Cazuza, que nos anos 80 afirmou categoricamente que "o tempo não pára".

No meu caso eu só faria questão de viajar uma semana no tempo (para frente), de forma a anotar os números que serão sorteados no próximo concurso da mega-sena...

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Friday, December 28, 2012

The philosophy behind 80's teen movies - Can't buy me love


(this text is the english version of the text "Filosofia da Sessão da Tarde - Namorada de Aluguel", originally written in portuguese.)

Dear Readers:

In the past month, through the "for dummies" texts, I tried to facilitate the understanding of big ideas from great thinkers of the human sciences. I wrote posts about the great masters of philosophy, psychology, sociology and economics, while making fun of them all, of course (not all of them are translated to English yet, but I hope I will be able to do it soon).

Now I'm taking the opposite approach and showing how some movies, which apparently did't tackle any serious issues, were in fact based on peculiar characteristics of human behaviour.  That is why we identified so much with them.  They would fall in the category "80's teen movies" and before cable (which in Brazil only arrived at the late 1990's) were broadcasted again and again during the afternoons on Brazilian TV networks.  If you have between 30 and 40 years of age, and lived in Brazil through your teen years, you probably seen each of them at least 10 times.

The movies I intend to analyse in a series of 4 posts are:

Can't by me love - 1987
Ferry Bueller's day off - 1986
Back to the Future - 1985
The Karate Kid - 1984

Always accompanied by lots of hairspray, shoulder pads, perms and other fads of the time, some characters will be remembered forever by our generation, it is time to unveil the subliminal messages of these afternoon classics.


Can't buy me Love - 1987

Patrick Dempsey (Ronald); Amanda Peterson (Cindy)



Before anything, please pay attention to the clothes and hairstyles of the romantic couple. Cindy does like big shoulder pads, she probably got them as a gift from the high school quarterback, who wore them on school games. Over the pads she is using a jacket that looks like a hand-me-down from her father, a very bulky father. Her long hair is carefully crimped by a perm and won't move even if Hurricane Katrina gets all the way to Arizona. Ronald, already "cool" and "popular" at this part of the movie, decided to rip his shirt sleeves off with his own hands, and makes a point of showing his bare chest (great pectorals), I don't know what he had in mind, but sadly it didn't work ...

Plot:


Ronald Miller (Dempsey) is a typical high school nerd living in Arizona. He has spent all summer mowing lawns to save up for a telescope (1980's stereotypes are unbeatable). However, at an opportune moment he makes a deal with popular cheerleader Cynthia "Cindy" Mancini (Peterson) to "rent" her for $1,000. She agrees so that she can afford to replace a suede outfit that was spoiled by a red wine spill on at a party (they didn't have Vanish stain remover back then). The outfit belonged to her mother and she hadn't received permission to borrow it. Having few options except telling her mom the truth, she reluctantly agrees to help him look "cool" by pretending to be his girlfriend for a month. Both agree never to reveal the pact.

Ronald then trades his nerdy-but-loyal friends for the shallow popular students and undergoes a complete clothing and hair makeover at Cindy's direction (see again the result of the make-over on the picture above). Over the month the two discover each other's individuality and are drawn closely together.  Cindy starts to actually like Ronald and feels attracted by him.  On the last date which Ronald has 'paid' for Cindy then hints that she'd like to kiss Ronald, signifying that she has real feelings for him, but he misunderstands and assumes she wants to talk about their breakup. They dramatically "break up" in front of a crowd at school, but Ronald takes things too far and says some hurtful things about Cindy in front of their friends. 

The next day, Cindy appears disgusted with Ronald when she sees him behaving arrogantly at school and becomes jealous when she sees him flirting with her best friends Barbara and Patty (who also have perms and use gallons of hairspray each morning). Riding on the newly acquired popularity, Ronald takes the girls out on dates.

Ronald continues playing "cool" by hanging out with the jocks and hot chicks. But at a New Year's Eve party Ronald gets pretty drunk, goes into the bathroom with a girl and has sex with her. Cindy is completely devastated, so she also starts drinking heavily. Later, as a surprise Bobby (Cindy's real boyfriend) shows up at the party and learns about her relationship with Ronald through a few of his former colleagues, Cindy is brutally dumped in front of a lot of people. In anger and frustration she tells the party-goers the truth about her relationship with Ronald (detail, she never gave Ronald the US$1.000 back).

Ronald is now rejected not only by the popular crowd (who now are back to teasing him and throwing food at him), but by the nerdy crowd as well.  After much suffering, however, a moment comes for Ronald to redeem himself when he defends his best friend Kenneth against the onslaught of Quint (a bigger and stronger guy). 

Cindy recognizes Ronald's worth after that and the two reconcile when she decides to hop on the back of his riding lawn mower instead of hanging out with her popular friends. He asks her to prom and the two kiss as the title song plays. Closing credits roll while the two of them ride off into the sunset on the lawn mower (don't worry, we will have a Ferrari in the next movie, so let's just stick to the lawn mower from now).

Psycho/Social/Philosophical analysis:

American sociologist George Homans, formulated in the 1960's the "exchange theory".  The theory postulated that social behavior as exchange means that a plurality of individuals, each postulated to behave according to the stated behavioral principles, form a system of interaction.  Social approval is the basic reward that people can give to one another.  Cindy was able to give Ronald social approval, and he paid US$ 1.000 for it.

The desire for status is an innate human condition.  During millions of years, natural selection guaranteed that mammals, and consequently monkeys, apes and finally humans, give high value to status.


Occupying a dominant position within a group of people, encourages the brain to produce serotonin, a neurotransmitter that makes you feel good, while having a a submissive position in the group encourages the brain to produce cortisol, a substance that makes you feel bad

The release of these substances ("happy chemicals" and "unhappy chemicals"), happen in the most primitive part of our brain (the part related to instincts). Try as we might to rationalise that status is not important, these chemicals will continue telling us that it is.

There is a reason for that, the primitive part of our brain (mammal brain), was formed over millions of years, when we were still monkeys or apes. Being the "alpha male" of a group meant priority over food and more access to females for breeding. The least popular monkeys ate less and were less likely to reproduce.

Millions of years of Darwinistic natural selection made sure that each one of us is, most likely, a descendent of apes which cared about status.  Ronald, as a mammal, was no different from a low status ape trying to improve his status within the groupeven if this meant he had to wear that "look" up there.



*Suggestion for further reading: "I, Mammal" from Loretta Breuning.

Filosofia da sessão da tarde - Curtindo a vida adoidado

"Apertem os cintos, pois esse tremendo maluco vai virar a cidade de pernas pro ar e aprontar pra valer!" (chamada típica da Globo nos anos 80)

Atendendo a pedidos, aqui vai, o segundo texto da série "filosofia da sessão da tarde":


Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller's Day Off) - 1986

Matthew Broderick (Ferris), Allan Ruck (Cameron), Jeffrey Jones (Ed), Mia Sara (Sloane)




Ferris Bueller (Matthew Broderick), aluno do último ano do ensino médio, decide não ir à escola em um dia de primavera e finge uma doença para seus pais, em seguida, incentiva sua namorada Sloane (Mia Sara) e seu melhor amigo, o ultra pessimista Cameron (Alan Ruck ) a passar o dia em Chicago, 

Precisamos de uma última aventura juntos antes de se separarem para cursar universidades diferentes! Com esse argumento, Ferris convence Cameron a deixá-los usar a Ferrari 250 GT 1961 de seu pai (até que Cameron tinha seus motivos pra ficar preocupado), para viajar até a cidade. 

Duas pessoas, no entanto, não estão convencidos da doença de Ferris: sua irmã Jeanie (Jennifer Grey), e o diretor da escola, Edward Rooney (Jeffrey Jones), eles vão tentar desmascará-lo (sempre tem os "estraga prazeres" de plantão...).


Ferris e seus amigos chegam centro e deixam a Ferrari com dois garagistas, que levam o carro para "passear" pouco tempo depois (esta cena deixou muita gente da minha geração que mora em São Paulo com certo receio de entregar o carro no Valet). Ferris, Sloane e Cameron desfrutam de muitos pontos turísticos da cidade, assistem um jogo no Wrigley Field, visitam a Torre Sears, o Instituto de Arte de Chicago, a Chicago Mercantile Exchange e participam no desfile do Dia de Von Steuben, quando Ferris tem a oportunidade de dublar a música "Twist and Shout" (cena clássica do filme).

No final eles recuperam a Ferrari (após alguns sustos) e Ferris consegue chegar em casa pouco antes dos pais, tendo driblado Ed (o diretor do colégio) diversas vezes ao longo do dia.  A aventura termina sem maiores consequências para Ferris, Sloane ou Cameron.


Análise sócio/psico/filosófica:

É fácil entender porque nos identificamos tanto com este filme.  Apesar de pouco grave, a transgressão de Ferris é a realização de um desejo que existe dentro de todos nós. Torcemos para que o plano de Ferris funcione e gostamos do "final feliz" do filme, quando Ferris vai dormir sem ter sido pego enquanto transgredia.  Conforme diria a filósofa Sheryl Crow:  "All I wanna do is have some fun, I have a feeling, I'not the only one".  Ela realmente não é a única, nem ela e nem Ferris.

O filme poderia ter sido escrito e produzido por Friedrich Nietzsche, pois simboliza muito daquilo que pregava o filósofo alemão.

 "O mundo para Nietzsche não é ordem e racionalidade, mas desordem e irracionalidade.  A única e verdadeira realidade sem máscaras, para Nietzsche, é a vida humana tomada e corroborada pela vivência do instante." 

O sucesso de "Curtindo a Vida Adoidado" baseia-se na simplicidade de sua mensagem.  Ferris apenas segue um instinto que existe dentro de todos nós e tira um dia para "desafiar o sistema".  Para Nietzche, "A moral (obedecer ao sistema) é o caminho mais fácil de ser trilhado, é confortável traçar este caminho e subtrair a plena visão autêntica da vida" .  Em algum momento, no entanto, a vivência do instante torna-se necessária, isso é ilustrado no filme (torcemos por Ferris pois de alguma forma entendemos que ele "merece" viver aquele momento).  Em seu final deixa a entender que no dia seguinte tudo voltará ao "normal", e Ferris voltará a agir de acordo com o que a sociedade dele espera.

Além da forte ligação com o pensamento de Nietzche, o filme também traduz o pensamento do filósofo grego Epícuro, do século IV a.c. que acreditava que "o maior bem era a procura de prazeres ...de forma a atingir um estado de tranquilidade e de libertação do medo" .

Outras obras modernas trazem a mesma mensagem, um bom exemplo é o samba enredo da União da Ilha de 2008:


"É hoje o dia da alegria e a tristeza
Nem pode pensar em chegar

Diga espelho meu
Se há na avenida 
Alguém mais feliz que eu"

Enfim, como já disse David Bowie:  "We can be Heroes, just for one day".  Em "Curtindo a Vida Adoidado", Ferris Bueller nos mostra que "yes, we can".


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Thursday, December 27, 2012

Filosofia da sessão da tarde - Namorada de Aluguel

Caros Leitores:

Até agora procurei facilitar o entendimento, por parte dos leigos, das idéias de grandes pensadores das ciências humanas.  Escrevi aqui sobre grandes mestres da filosofia, psicologia, sociologia e economia.  

Agora vou adotar o approach inverso e mostrar como alguns filmes, a princípio bobos, nos mostram características interessantes do comportamento humano, e por isso nos identificamos com eles.

Na minha época de criança e pré-adolescência, estudava de manhã e tinha as tardes livres.  Muito antes da TV a cabo virar uma realidade, recorríamos à sessão da tarde na rede Globo, que tinha o hábito de repetir os mesmos filmes indefinidamente. Por pura falta de opção, assisti a alguns desses filmes mais de 10 vezes.  Estávamos no final dos anos 80, e como a sessão da tarde não trazia lançamentos (privilégio de super-cine ou tela-quente).  A maioria do material que ia ao ar havia sido produzido três ou quatro anos antes.

Sempre acompanhados de muito laquê, ombreiras, permanentes e outros modismos da época, alguns personagens marcaram época, chegou a hora de desvendar as mensagens subliminares destes clássicos vespertinos.

Namorada de Aluguel (Can't buy me Love) - 1987

Patrick Dempsey (Ronald); Amanda Peterson (Cindy)



Antes de qualquer coisa, atenção para o as roupas e cabelos do par romântico.  Cindy não economiza nas ombreiras, utilizando um paletó que parece haver sido emprestado a ela pelo seu pai.  Seus longos cabelos foram cuidadosamente encrespados por uma permanente e não sairiam do lugar nem no caso do furacão Katrina invadir a escola onde estudava.  Ronald, já na fase "cool", resolveu rasgar as mangas da camisa com suas próprias mãos, e faz questão de mostrar o peito nu, mantendo a gola levantada, o resultado não foi dos melhores...

Sinopse:


Ronald Miller (Dempsey) é um nerd típico de uma escola secundária no. Ele passou todo o verão cortando gramas para conseguir comprar um telescópio (a galera não aliviava para estereotipar os nerds). No entanto, em um momento oportuno, ele faz um acordo com a popular cheerleader Cynthia "Cindy" Mancini (Peterson), que precisava do dinheiro para repor um vestido branco cafonérrimo de camurça, o qual Cindy tinha pego da mãe escondido e manchado de vinho (o Vanish ainda não havia sido lançado).

Por US$ 1.000 Cindy concorda em fingir ser a namorada de Ronald por um mês.  Cindy, é claro, era a garota mais popular do colégio, e além de passar o dia no salão fazendo permanentes e passando laquê ela ensaiava junto com as suas amigas populares para atuar como (adivinha...) cheerleader.  Ambos concordam em nunca revelar o pacto.

A idéia de Ronald é que, ao ser visto com Cindy, também se tornará popular e seus dias de nerd ficarão para trás.

Ronald começa a desconhecer seus nerd-mas-leais amigos, trocando por amigos mais adequados na hierarquia da escola, entre eles (adivinha...) o quarter-back to time de futebol americano. Ronald sofre uma completa reforma no visual sob a orientação de Cindy (veja o resultado fantástico na foto acima). 

Ao longo do mês, porém, os dois vão descobrindo um ao outro e se tornam mais próximos. Cindy começa a realmente gostar de Ronald. O sentimento é mútuo mas Ronald não capta a mensagem e segue com o plano original, termina com ela na frente de todos e, tendo ficado "popular", se torna cada vez mais mala, além de começar a flertar com as amigas de Cindy (que colocam ainda mais laquê em seus cabelos que a protagonista).

Quando Ronald começa a passar o rodo nas laqueadas da escola, Cindy fica p... da vida e conta a verdade para todos (o acordo dos R$ 1.000).  Com a revelação Ronald volta a ser ignorado pela galera "popular" e agora também pelos ex amigos nerds.  No final do filme, porém, Ronald se redime defendendo um amigo nerd numa briga e acaba re-conquistando o coração de Cindy.  Na cena final Ronald e Cindy passeiam felizes sobre o cortador de grama.

Análise sócio/psico/filosófica:

George Homans, sociólogo norte americano, formulou na década de 50 a "teoria da troca" nas relações humanas.  Essa teoria defendia que todos os relacionamentos humanos se baseavam em interesse.  "Aprovação social" seria a recompensa básica de que as pessoas buscavam ao escolher com quem se relacionar e o quanto de esforço colocariam em cada relação.

Ronald se encontrou em uma situação onde poderia "comprar" aprovação social e se aproveitou dela.  A busca pela aprovação social, ou status, é inerente ao ser humano.

Ocupar uma posição de domínio no grupo incentiva a produção de serotonina, um neuro-transmissor que provoca uma sensação boa, da mesma forma ter uma posição submissa no grupo incentiva a produção de cortisol, substância que provoca tristeza e desapontamento.  Isso ocorre porque a liberação de neurotransmissores ("felizes"e "tristes"), acontece na parte mais primitiva do nosso cérebro (parte relacionada aos instintos).  Por mais que tentemos racionalizar que status não é importante, os neurotransmissores continuarão dizendo que é.

Existe uma razão para isso, a parte primitiva do nosso cérebro (mammal brain), foi sendo formada ao longo de milhões de anos, quando ainda éramos macacos.  Ser o "macho alfa" de um bando, significava prioridade na alimentação e acesso às fêmeas para reprodução.  Os macacos menos populares comiam menos, tinham menos chance de se reproduzir e estavam mais sujeitos a ataques de predadores.

Alguns dos nossos antepassados não ligavam para status, mas milhões de anos de seleção natural se encarregaram de reduzir ao mínimo este tipo de indivíduo.  O mais provável, portanto, é que sejamos descendentes dos macacos que consideravam status como algo importante. 

O personagem Ronald não era diferente, e aproveitou o quanto pode as descargas de serotonina provenientes da sensação de estar em uma posição dominante.  Dada a oportunidade Ronald fez o que qualquer mamífero faria, e agiu de forma a melhorar sua posição na hierarquia do grupo, nem que para isso ele tivesse que usar aquele "look" lá de cima...


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Tuesday, December 25, 2012

Sociologia for dummies

Ah, a sociologia!!! Vamos começar com o mais óbvio, a definição da wikipedia:

"A sociologia é a parte das ciências humanas e estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam os indivíduos em associações, grupos e instituições."

Ou seja, enquanto que nos textos "Filosofia for Dummies" e "Feud for Dummies", os pensadores se concentravam no "eu interior", a sociologia se concentra no comportamento humano em relação com o grupo em que convive, a sociedade.  Falam sobre o "eu exterior", o Itamaraty da nossa personalidade.

Mais uma vez o objetivo deste blog não é se aprofundar em nada, mas tentar transmitir de forma simples e direta o que os principais pensadores desta ciência humana defendiam (sempre entendendo a influência dos caras na música popular e no futebol).

Émile Durkheim - Sociólogo Francês (1858 - 1917) - o cara do "ordem e progresso"

Seu principal trabalho é na reflexão e no reconhecimento da existência de uma "Consciência Coletiva". Ele parte do princípio que o homem seria apenas um animal selvagem que só se tornou Humano porque se tornou sociável (há exceções, é claro).

A este processo de aprendizagem, Durkheim chamou de "Socialização".  Em seu trabalho, atenta para a importância de se fortalecer as "Instituições sociais", como um mecanismo de proteção da sociedade.  As instituições são por essência, quer seja família, escola, governo, polícia ou qualquer outra, elas agem fazendo força contra as mudanças, pela manutenção da ordem (TFP total)

Uma sociedade sem regras claras, sem valores, sem limites leva o ser humano ao desespero.

Seguidores de Durkheim no Futebol:

Arnaldo César Coelho - "A regra é clara", frase utilizada com frequência pelo comentarista de arbitragem , é a essência do que buscava o sociólogo francês.

O "xerife do time" - aquele cara chato que dá esporro em todo mundo e impõe limites aos demais jogadores.

Seguidores de Durkheim na Música:

Paulinho da viola (pregando conservadorismo e cautela, avesso a mudanças bruscas)
"Tá legal, eu aceito o argumento,
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro ou de um tamborim
Sem preconceito ou mania de passado
Sem querer ficar do lado de quem não quer navegar
Faça como um velho marinheiro
Que durante o nevoeiro leva o barco devagar"


Capiba (pregando a defesa às tradições)*
"E se aqui estamos
Cantando essa canção
Viemos defender
A nossa tradição"

Adoniran barbosa (pregando o cumprimento das leis e o respeito à razão)
"Mato Grosso quis gritá
Mas em cima eu falei:
Os homis tá cá razão
Nós arranja outro lugar"


Max Weber - Sociólogo Alemão (1864 - 1920) - o cara do "sou rico, e daí?"

"A ética protestante e o 'espírito' do capitalismo" é considerada a grande obra de Max Weber e é o seu texto mais lido e conhecido.  Nele Weber compara o discurso católico (que enaltece o pobre e critica o rico), com o discurso protestante (que considera a riqueza uma virtude, consequência de uma vida voltada para a ética e para o trabalho).

Tomando como exemplo máximas colhidas de escritos de Benjamin Franklin, tais como "tempo é dinheiro" ou "dinheiro gera mais dinheiro", Weber mostra que o espírito do capitalismo não é caracterizado pela busca desenfreada do prazer e pela busca do dinheiro por si mesmo. O espírito do capitalismo deve ser entendido como uma ética de vida, uma orientação na qual o indivíduo vê a dedicação ao trabalho e a busca metódica da riqueza como um dever moral

Seguidores de Weber no Futebol:

Kaká - Protestante e "atleta de cristo", embolsou 15 milhões de Euros em 2012.

Vampeta (não era crente, mas acreditava no espírito do capitalismo), no Flamengo em 2002
“Eles fingem que pagam e eu finjo que jogo”

Seguidores de Weber na Música:

50 cent (orgulhoso de ter "chegado lá" com o suor do seu trabalho)
"My flow, my show brought me the dough
That bought me all my fancy things
My crib, my cars, my clothes, my jewels
Look nigga I done came up and I ain't change"

Falcão (exaltando as vantagens de ser um cantor abastado)
"Eu sei que a burguesia fede
Mas tem dinheiro pra comprar perfume
E além do mais o high society
Leva chifre e não tem ciúme"


Legião Urbana (exaltando o empreendedorismo de João de Santo Cristo)
E Santo Cristo até a morte trabalhava
Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar
...
Mas ele não queria mais conversa
E decidiu que como pablo ele ia se virar
...
E joão de santo cristo ficou rico
E acabou com todos os traficantes dali


Gostou? veja também:

Filosofia for Dummies
http://www.boraver.com/2012/11/filosofia-for-dummies.html

Economia for Dummies
http://www.boraver.com/2012/12/economia-for-dummies.html

Freud for Dummies
http://www.boraver.com/2012/12/freud-for-dummies.html



*para os não pernambucanos, estes versos são parte do frevo canção "Madeira que cupim não rói", se não conheces venha passar um carnaval por aqui que ouvirás esta canção ao menos 100 vezes por dia.

Saturday, December 22, 2012

Propaganda brasileira conquista o mundo Árabe...


A campanha dos postos Ipiranga precisou passar por alguns ajustes, mas fez sucesso no mundo Árabe...

Friday, December 21, 2012

Maias pedem desculpas pelo mal entendido

Nuno Leal Maia, Presidente da APMB, o Homem de Itú*

21/12/2012 - 20:56 (Reuters) - Nuno Leal Maia, presidente da APMB - Associação dos Povos Maias no Brasil, reconheceu ontem à noite que o mundo não iria mesmo se acabar no dia 21/12.  Durante a entrevista, Maia pediu desculpas aos milhares de brasileiros que largaram o emprego e gastaram todo o dinheiro em cachaça, confiando que o fim do mundo aconteceria nesta sexta.

Nuno afirmou que a GMPA (Global Mayan People Association), já contratou auditoria externa independente para checar o que houve de errado com o cálculo feito pelos seus antepassados. Suspeita-se que uma referência circular tenha atrapalhado o cálculo no Excel, que ainda tinha muitos "bugs" por volta do ano 400 d.c. (época em que se acredita ter sido feito o cálculo).

De qualquer forma, Nuno sai bastante desgastado deste episódio e deve deixar o cargo já em 31 de dezembro.  O mais cotado para assumir o cargo é o ex prefeito do Rio, César Maia.  Como candidato da oposição e correndo por fora vem Wolf Maia, ator e diretor da Rede Globo.


*Para aqueles que não conhecem o filme, vale à pena olhar na wikipedia mais informações sobre "Bem Dotado, o Homem de Itu", um clássico das pornochanchadas dos anos 70, onde Nuno interpretava o personagem principal.

O fim do mundo (ainda dá tempo)

Ainda dá tempo...

São 20h em Recife, e 17h no México, onde viviam os Maias, povo que, teoricamente, previu o fim do mundo para 21 de Dezembro de 2012.  Desta forma, o mundo pode acabar a qualquer momento nas próximas 7 horas (meia noite no México).

Os Maias, na verdade, nunca disseram que o mundo ia acabar hoje, essa história começou porque eles tinham um complexo calendário cujo maior ciclo era de 5.125 anos, que começava em 3.113 a.c.  Se contarmos 5.125 anos a partir se 3.113 a.c. chegamos a 2012, calculando os dias no mesmo calendário chegamos em 21 de dezembro, ou seja, hoje.

Nuno Leal Maia, representante dos Maias no Brasl, emitiu hoje uma carta aberta à imprensa, afirmando que a religião dos Maias não pregava a idéia de que haveria um "fim dos tempos".  O apocalipse é um conceito cristão, e o cristianismo não era conhecido nas civilizações pré-colombianas do novo mundo.  No entanto, como esse assunto de fim do mundo dá audiência, muita gente "encontrou" no calendário Maia mais uma possível data apocalíptica.

Essas previsões não são novidade.  Dei uma rápida pesquisada na internet e descobri 12 previsões para o fim do mundo que não deram certo.  A primeira data de 365 d.c.  A mais famosa (talvez pelo nome meio apocalíptico do profeta), dava como certo o fim do mundo em julho de 1999.  Dizia Nostradamus: “no ano de 1999, sétimo mês / do céu virá um grande rei do terror”.  Quem tem filho nascido nesse ano é bom ficar de olho...

Vários filmes de Hollywood trataram do assunto, sempre uma grande oportunidade para o diretor usar e abusar dos efeitos especiais.  Até a Rede Globo  entrou na onda e colocou no ar uma "mini novela" intitulada "O Fim do Mundo" em 1996.  Era um tanto surreal ouvir o narrador global com aquela voz madura e grave falando:  "veja no Globo Repórter, hoje, logo após o fim do mundo." 

Mas, e se nas próximas 7 horas o mundo realmente de acabar, como vai ser?  Todas as projeções anteriores se concentraram em duas possibilidades:

1) Um anjo, um rei do terror, ou Deus propriamente dito descia dos céus e dava a notícia bombástica.

2) Um grande desastre natural acabava com tudo, o desastre mais popular era a queda de um meteoro de grande porte, visto que este método já deu certo com os dinossauros...

Eu descartaria a opção 2, pois acredito que os astrônomos da NASA, a essa altura do campeonato, já teriam identificado um meteoro sem freios vindo em nossa direção.  Julgo, portanto, que algo nos moldes da opção 1 teria que acontecer nas próximas horas para o mundo acabar hoje.

Simulação:

21:30 - Horário de Brasília, toca a vinheta do plantão da Globo...
(segue link pra quem não lembra).

http://www.youtube.com/watch?v=Bj9r0zbfH6E&feature=player_detailpage#t=8s

"Interrompemos nossa programação para um pronunciamento do Excelentíssimo Senhor Deus Todo Poderoso, CEO do Universo"

Deus Todo Poderoso - CEO do universo

Deus aparece na tela, é bom explicar que aquela imagem que tínhamos de Deus, usando uma túnica branca e barba comprida era condizente com a moda de 2000 anos atrás.  Hoje ele aparece com a barba mais curta e um imponente terno de corte impecável.

Como Deus pode tudo a imagem é transmitida em todo o lugar, você não precisa estar na frente da TV para ver o pronunciamento, uma tela virtual aparece na sua frente, onde quer que você esteja.

"Meus Filhos Queridos:

Antes de tudo, gostaria de mandar um grande abraço pra vocês, uma vez que todos são meus filhos.  A notícia que vou dar agora não deve te causar medo, como Deus Pai, cuidarei para que a transição que está por vir seja o menos traumática possível.

A terra é um planeta pelo qual eu tenho muito carinho, foi um dos primeiros que criei. Na época levei seis dias, não tínhamos os recursos que temos hoje, quando criamos planetas em menos de 5 minutos.

A nova realidade da economia universal, porém, exige planetas cada vez maiores e mais eficientes, e já há alguns anos a Terra vem se desenvolvendo em um ritmo abaixo da expectativa de mercado.  Foi muito difícil tomar esta decisão, mas a situação tornou-se insustentável, a operação terra será descontinuada a partir de hoje.

Os humanos, porém, são meus filhos e nada devem temer, logo após o meu pronunciamento todos vocês serão tele-transportados para "Nucleus", planeta sede do universo. Não se preocupe se você está mal vestido ou pelado, ao chegar em Nucleus estarás vestido adequadamente.  Ao longo da próxima semana, todos passarão por uma triagem realizada pelo nosso pessoal do RH, o que nos permitirá realoca-los no planeta mais adequado, de acordo com o perfil de cada um.

Antes de tele-transportá-los, porém, gostaria de mandar um abraço especial pro pessoal do Brasil.  Sempre me diverti muito com aquela história de "Deus é Brasileiro", na verdade não sou, até porque criei a terra e, consequentemente, o país. Minha existência, portanto, precede a de vocês, mas fico lisonjeado com o carinho que o povo brasileiro tem por mim.

Desejo uma boa sorte a todos em seus novos desafios.  Estarei sempre com vocês"

Na tela começam a passar cenas que marcaram a história do mundo, ao som de "What a Wonderful World", vemos o homem descobrindo o fogo, O coliseu lotado assistindo uma luta de gladiadores, Colombo chegando nas Américas, Leonardo da Vinci dando os últimos retoques na Mona Lisa, Carlos Alberto marcando o quarto gol do Brasil na final de 70, etc.