Thursday, January 31, 2013

BoraLer? Livraria de Aeroporto (Parte 2)


by Sir Anthony

Esta é a Parte 2 do texto "BoraLer? Livraria de Aeroporto"


Clique AQUI para ler a Parte 1


... continuando:


“Qual é a da florzinha?
Tá me estranhando? Eu sou espada!”
Bem próximo dos volumes de autoajuda (tanto física, como intelectualmente) ficam os livros de gestão empresarial de aeroporto; ambos os gêneros se valem das 9 sacadas para vender livros em aeroportos, dentre elas a tendência a especificar um certo numero de leis, práticas, técnicas etc., de tal modo que, apos ler, digamos, “Os Sete Hábitos das Pessoas Muito Eficazes” você esteja pronto para alcançar todos os seus objetivos de vida, seja enlouquecer um homem na cama, seja enlouquecer o presidente do conselho de administração da empresa onde trabalha.

A possível objeção de que esse modelo poderia limitar a produção (portanto os lucros) de autores e editoras, não se verifica na prática. Como no caso das revistas sobre dietas, um titulo como “O Oitavo Hábito”, não faz ninguém se perguntar como o autor foi esquecer de incluir a cerejinha do bolo na primeira obra. Ao contrario, o livro acaba se tornando um sucesso de vendas justamente por oferecer ao leitor uma explicação coerente de porque ainda não se tornou vice-presidente da Microsoft, apesar de ter praticado os sete hábitos anteriores. 


Essa fé que anima os consumidores de livros de negócios comprados em LDAs torna a analogia com a religião bastante óbvia. Só um extravagante se disporia a estudar gestão de tesouraria quando pode pegar umas dicas de “Salomão: o Homem mais Rico que já Existiu”. Para aprender a gerir um conglomerado global, você tem “Madre Tereza, CEO” (sim, vocês leram direito), bem como “As 25 Leis Bíblicas do Sucesso”, com prefacio de Eike Batista, que deve conhecer até mais que 25 leis. A esses, que se propõem a traduzir os princípios da mais profunda espiritualidade para a linguagem dos negócios, também é possível fazer o contrário, falar de business com vocabulário de religião. 

Quando Shakespeare escreveu que até o diabo pode citar as escrituras, devia ter em mente livros como “A Bíblia da Inovação”, do Prof. Philip Kotler, que dispensa apresentações. Eu sei que a expressão “dispensa apresentações” dispensa comentários, mas Kotler vale o risco, porque quem já precisou estudar marketing, com certeza teve que ler “Marketing Management”, livro-texto fundamental da disciplina em todas as escolas no hemisfério ocidental. Por outro lado, se você nunca precisou estudar marketing, não vejo razão pra aborrecê-lo com isso agora.     


Mais importante é saber que, além daquele clássico, Kotler produziu outras 51 boas ideias para livros que enriquecem o mundo das letras aeroportuárias. Não são exatamente continuações da produção intelectual do autor, mas demonstrações praticas dos seus ensinamentos sobre como criar um produto e faze-lo chegar até seu público-alvo - que neste caso são pessoas ansiosas por dominar o marketing, mas em no máximo sete (ou oito) passos, no intervalo entre conexões.  Apesar de tudo, Kotler pelo menos pode dizer, como naqueles adesivos de carro, “meu outro livro é o Marketing Management”.  Já Kahneman esfrega na nossa cara que depois de ganhar um Nobel em economia você tem o direito de ganhar a vida mordendo lápis. 


O caldo entorna mesmo quando você parte para os livros de Estratégia. A obra padrão que você encontrará sobre o assunto numa LDA terá títulos curiosos, como “Os Mestres da Estratégia”, “Safari da Estratégia” e, claro, “A estratégia do Olho de Tigre”.  Como eu trabalho nessa área, posso dizer com toda sinceridade que me interesso pelo assunto como se a minha vida dependesse disso. Por essa razão, toda vez que vejo este fenômeno editorial, experimento uma intensa curiosidade (quase a ponto de abrir o livro) por saber o que diabos pode vir a significar uma estratégia “olho de tigre”. 



"Eyes of the Tiger"
Apollo e Drago que se cuidem...
Em baixa desde o fim da franquia “Rocky Balboa”, que tinha "Eyes of the Tiger" até na trilha sonora, essa a estratégia voltou com tudo no filme “As Aventuras de Pi” (pausa para q vocês façam suas próprias piadas). Com 11 indicações ao Oscar e bilheteria de US$ 500 milhões, a metodologia felino-oftalmológica rendeu à película um lugar de destaque entre os filmes de maior faturamento na historia, como (em milhões de dólares) ET (435), Shrek 2 (440) e Batman (535). Não deixa de ser notável desbancar as estratégias tão consagradas quanto as do “bafo de ogro” e a do “dedo de alien”. Alias, ao saber que o sucesso nos cinemas é o indicador mais seguro da eficácia de um modelo de negócios você compreende o entusiasmo da maioria dos executivos na pratica da estratégia “Titanic”.

Mas, como em toda disciplina, os livros mais importantes não são os da moda e sim os clássicos. E em se tratando de estratégia empresarial de aeroporto nenhum outro merece mais esse titulo que “A arte da Guerra”, suposto tratado militar escrito pelo suposto Sun Tzu, há, supostamente, 2500 anos.


Tudo bem que um clássico, por definição, nunca perde a atualidade; você acrescenta algumas poucas notas de rodapé e ele está novo. No entanto, numa edição típica de “A arte da Guerra”, os comentários costumam ocupar de 70% a 80% das paginas, porque sem eles o estilo zen da escrita de Sun Tzu poderia induzir o leitor a refletir seriamente sobre a real utilidade de seus conselhos, não só para quem vai escrever o plano de negócios de um sexshop online, mas até pro sujeito que desejasse apenas conduzir uma batalha decente na China do sec. IV a.C. Por isso, cabe aos autores contemporâneos a tarefa de estimular o velho sábio a dizer um pouco mais.


O caso mais extremo é o de um guru  brasileiro que já redigiu mais de uma dezena de livros em “coautoria” com o mestre chinês (não foi o Chico Xavier), abordando não só os óbvios temas de gestão empresarial e estratégia, como também, por exemplo, a criação de adolescentes. Fruto dessa rica parceria, “A arte da Guerra & A Arte do Amor” me deu a ideia de qualquer dia escrever “69 Lições do Kama Sutra Aplicadas aos Negócios” - mas não sei se tenho experiência suficiente em estratégia corporativa. O interesse do mercado por uma obra assim já foi demonstrada pelo best-seller “Capital Erótico”, fundamental para as empresas que já aprenderam a administrar o capital intelectual, o capital social e o capital emocional de seus colaboradores, mas acreditam que ainda pode haver algum espaço para mais sacanagem.


veja AQUI os livros que ainda farão sucesso nas livrarias de aeroporto...



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Wednesday, January 30, 2013

BoraLer? Livraria de Aeroporto (parte 1)



by Sir Anthony


“…ou faça a assinatura trienal
e emagreça 0,5 tonelada”
Apesar das contradições, o Brasil sempre foi um pais abençoado por Deus e bonito por natureza. Por isso, desde que comecei a viajar a trabalho, sempre me apavorou a ideia de ir pra um lugar longe de casa e ser vitima de, sei lá, um desastre natural, um terremoto, talvez, e acabar soterrado em uma adega de vinhos raros, tendo que me alimentar exclusivamente de queijos variados e Bordeaux dos séculos XVIII e XIX, sem absolutamente nada pra ler enquanto aguardava o resgate. Eu não sei como vocês lidam com este sentimento, e creio que cada um deva ter os seus macetes, mas no meu caso o que salvam são as livrarias de aeroporto. Agora eu passo numa dessas mesmo que seja só pra pegar a ponte-aérea.

Tenho ouvido falar que já existe uma tecnologia que permite a você carregar as obras completas de Borges e sabe Deus o que mais num dispositivo portátil não muito maior nem mais pesado que um livro de tamanho comum. Mesmo que seja verdade, é difícil acreditar que se possa capturar num gadget toda a riqueza da experiência de passear por uma livraria de aeroporto (nota do editor:  Sir Anthony tem uma certa dificuldade com novas tecnologias, a última que ele conseguiu dominar foi a da tesoura). Vocês sabem: existe a literatura, existe a subliteratura e, em algum ponto entre a pornografia masoquista e os manuais de informática, existem os livros vendidos nas livrarias de aeroporto (LDA), cujos principais subgêneros são “Ficção de Aeroporto”, “Manuais de Gestão Empresarial de Aeroporto”, “Revistas de Dieta”, “Autoajuda”, e “Esoterismo” (os últimos três só existem na forma “de aeroporto”, mesmo quando vendidos em outros lugares).   


Por muito tempo eu pensei que o critério para formação do acervo das LDA fosse o temperamento sádico e caprichoso de seus donos, mas mudei de ideia no dia em que ouvi, no supermercado, o locutor dizer, sem qualquer traço de ironia, que “se você esta procurando algo interessante pra ler, a Radio Pão de Açúcar recomenda ‘Ulisses’, de James Joyce. Considerada a obra-prima do autor irlandês, o livro trata de...”. Depois disso, eu passei a esperar que o sistema de áudio anunciasse também um convite pra “você, que esta se sentindo um pouco fora de forma, inscreva-se na Ultramaratona Pão de Açúcar, que ocorrerá no próximo sábado. Com pouco mais de 84 km, o percurso é a oportunidade perfeita para dar um basta nesse sedentarismo e começar uma vida mais saudável...”.

Caiu a ficha que quem vive de vender frutas a preços exorbitantes pode se dar ao luxo de recomendar a seus fregueses que leiam até mesmo pergaminhos etruscos, mas o sujeito que precisa vender livros tem que ser um pouco mais conservador. Os donos de LDA, se pudessem, só venderiam Machado de Assis, Camus e Proust (não confundir com o Alain Proust, o piloto), mas na pratica é o frequentador quem escolhe o que vai encontrar nas prateleiras, por auto-seleção. 

Reflitam. Com base na quantidade de guias de viagem numa LDA, um observador ingênuo poderia inferir que o público-alvo da loja são os turistas, mas estaria enganado, pois quem viaja a passeio, comprou seus guias meses antes de chegar ao aeroporto, possivelmente antes de adquirir as passagens. E mesmo que durante o longo planejamento que antecede a viagem não tivesse tido tempo de comprar toda a Biblioteca do Congresso, o turista ainda renderia pouquíssimo para uma LDA, porque vai apenas esporadicamente ao aeroporto, rumo a destinos interessantes, muitas vezes acompanhado de amigos ou familiares. Tentar adivinhar seus gostos seria a ruina de um livreiro de aeroporto.


A LDA precisa de uma clientela mais confiável, de cauda curta, composta de gente que frequenta aeroportos regularmente, viajando sozinho, por obrigação, para lugares maçantes, e de preferencia só tendo sabido na véspera que estaria num avião no dia do jogo de futebol do filho caçula. O perfil desse cliente é  bem mais previsível: ele tem ou logo terá problemas de relacionamento e está desesperado pra ser promovido (já que casais inteligentes enriquecem juntos, mas advogados ainda mais inteligentes fazem fortunas quando eles se separam). Também vai precisar perder a barriga pra se recolocar no competitivo mercado do amor. A LDA oferece tudo que ele precisa. 

Os livros esotéricos são um caso especial: não basta o fato de haver gente disposta a apelar até pra magia quando se trata de amarrar a pessoa amada, conseguir um aumento ou definir a silhueta. Como a LDA precisa ser muito seletiva e coerente pra poder maximizar o lucro por metro quadrado de loja, a proeminência do ocultismo só se justificaria por algum fator comum que leve os frequentadores a ter uma propensão ao misticismo maior que a observada no restante da população. Tal fator consiste justamente no próprio consumo de livros de LDA. Uma vez que você já tenha se convencido de que existem sete (ou oito) hábitos que podem transforma-lo no Steve Jobs e que a chave para todos os mistérios da vida amorosa é que os homens são de Marte e as mulheres são de Vênus, não lhe custa quase nada acreditar também que os deuses do Egito eram astronautas. Trata-se de uma extensão natural de portfolio, portanto.

Um pouco mais desafiadora é a situação das publicações pra emagrecer. Ainda me impressiona a boa-vontade do camarada que diante do numero 302 da revista, não se sente tentado a relativizar a eficácia das técnicas recomendadas nas 301 edições anteriores - o que também poderia lançar alguma dúvida sobre os poderes da dieta das vogais contida no exemplar deste mês, apesar da forte evidencia cientifica que a revista apresenta.


Mas quando eu acreditava que já tinha visto de tudo em LDAs, eis que na semana passada, tive a surpresa de ver na LaSelva do aeroporto do Recife um livro com o nome de Oscar Wilde. Hedonista, egômano, sarcástico, elitista e moderadamente genial, Wilde podia até ser alguém com quem valesse  a pena tomar uma cerveja, mas com certeza não era o tipo de pessoa em quem você confiaria pra dar uma carona a sua filha (ou ao seu filho; ou ao seu hamster), menos ainda um autor que eu esperasse encontrar numa LDA. E não encontrei mesmo: tratava-se de “Oscar Wilde para inquietos”, coleção de máximas cínicas de Wilde, acompanhadas de “interpretações” que só se explicam se tiverem sido escritas por vingança (Nota do Editor:  Isso não é nome de livro, isso é nome de post do boraver, vou processar a editora...). 


Leia também o thriller
“O Código do Cotoco de Lápis”
apontado  para o Prêmio
Faber Castel de Literatura 
Não se deve julgar um livro pela capa, mas não tiremos o mérito de quem não se deixa intimidar ante o risco de ser processado por plágio, mesmo que o acusador seja Daniel Kahneman, autor de “Rápido e Devagar”,  autor que deu novo sentido ao termo “analista financeiro”. Qualquer que seja o desfecho da historia, a imagem de um lápis mordido é uma tendência que veio para ficar no mercado editorial. 

Outro hit do momento são os livros com sapato de salto alto na capa. A autora de “O Diabo Veste Prada” ainda lidera o segmento,  com quatro títulos, mas, assim como na indústria de livros com lápis mordido, o sucesso vem atraindo a concorrência. “Deixe os homens aos seus pés” é outro que aposta na podolatria como elemento central de seu modelo de negócios. As semelhanças terminam ai, porque a estreante não se limita a contar historias de mulheres poderosas usando saltos altos, mas ensinar a própria leitora como se tornar ela própria a rainha da cocada preta. O livro contém técnicas avançadíssimas capazes de tornar qualquer gata borralheira uma mulher “poderosa & irresistível”. Mesmo assim, pelo sim pelo não, a editora optou por botar na capa a coelhinha da playboy Maria Melilo, ganhadora do BBB 11, no lugar da foto da autora. 

A essa altura, muitos homens poderiam estar intimidados pela iminência de cada mulher do planeta se transformar numa atlética e desinibida dominatrix de salto agulha. Se esse é o seu caso, a saída pode ser a leitura de “Como Influenciar Pessoas Poderosas”, descendente direto (na linha de Xangô) do inesquecível “Como Fazer Amigos e Influenciar as Pessoas”. Enquanto seu antecessor era voltado ao publico sociopata em geral, o novo manual é indicado especificamente para o frequentador de LDA, ou seja, o cara que não tem tempo a perder com amigos e muito menos influenciando gente sem importância. Uma pena a edição ter saído sem o esperado prefacio de Bill Clinton, que, estranhamente, nunca chegou a retornar as ligações do autor. 

leia a a parte 2


veja AQUI os livros que um dia ainda farão sucesso nas livrarias de aeroporto



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Monday, January 28, 2013

Joan Miró - BoPAPla (Boraver no País das Artes Plásticas)

A idéia do BoPAPlá (boraver no país das artes plásticas), é interpretar pinturas, esculturas, gravuras, instalações, enfim, obras de arte relevantes, seguindo a ótica "boraveriana".

Para ler o texto introdutório sobre o conceito do BoPAPlá, clique AQUI.

Mas enfim, hoje falaremos sobre o pintor e escultor catalão Joan Miró, estudaremos cada fase da obra do artista e entenderemos sua obra segundo a ótica boraveriana (uma ótica heterodoxa, porém plausível, digamos assim). Afinal, o bacana não é a obra, mas a interpretação.

Joan Miró i Ferrà (Barcelona, 20 de abril de 1893 — Palma de Maiorca, 25 de dezembro de 1983) foi um importante escultor e pintor catalão.

Seguem abaixo as fases mais importantes da sua obra:

Miró Coxinha - 1916 - 1920


Mont Roig Church and Village - 1919
Miró começou a ter aulas de desenho aos sete anos em uma escola particular em Barcelona. Em 1907, matriculou-se na Academia de Belas Artes de La Llotja, estudou no Cercle Artístico de Sant Lluc e teve sua primeira exposição individual em 1918, na Galeria Dalmau, onde seu trabalho foi ridicularizado e desfigurado.

Na primeira fase da carreira Miró procurou mostrar que sabia pintar cenários, era caprichoso nos detalhes e perspectivas, mas sentia que aquilo ali não era o seu lugar.

Inspirado por exposições cubistas e surrealistas do exterior, Miró foi atraído para a comunidade artística que estava reunindo em Montparnasse, em 1920 mudou-se para Paris.

"Meu deus mas que cidade linda, no ano novo eu começo a trabalhar..."


Miró se perde na vida em busca de aventuras - 1921 - 1928

Em 1924 sob a má influência dos surrealistas da cidade luz Miró começou a viajar.  Aquele garoto comportado que pintava paisagens bucólicas resolveu entrar de vez naquela dança e aproveitar ao máximo a Paris dos anos 20 (que deve ter sido realmente bem animada, pelo menos segundo o relato do filme "meia noite em Paris"do mestre Woody Allen.


The Tilled Village - 1924 (top)
Painting - 1927 (bottom)
Nós do boraver não sabemos muito bem o que Miró, Dalí e essa galera andava tomando nessa época, mas com certeza era algo muito forte.  

A pintura ao lado representa, em teoria, a fazenda onde Miró cresceu em Mont-Roig, na Cataluña.  Uma versão um tanto ou quanto psicodélica da fazenda, é verdade. A pintura foi um sucesso.  Dizem que as paredes tem ouvidos, mas para Miró quem tinha ouvidos eram as árvores, assim como olhos, por via das dúvidas, tirem as crianças da sala...


As baladas dos anos 20 em Paris eram pesadas, e Miró procurava manter sua produção em dia entre um Engov e outro.  Durante ressacas homéricas e tendo que entregar encomendas que se amontoavam, miró começa a se afastar um pouco do estilo "Dalí" e decide que menos é mais.  Decide que não vai gastar mais de 30 minutos em cada quadro e que quem quiser que interprete do jeito que quiser.

Nem título para as pinturas Miró dá mais (exemplo da pintura ao lado, chamada simplesmente de "painting").



Neste momento Miró começa aos poucos a chutar o balde e produzir pinturas semelhantes a desenhos de crianças da 4 anos.  

O público adorou!!

Miró se casa e tenta espantar a clientela - 1929 - 1939


The two Philosophers - 1936
Em 1929 Miró abandona a vida bohemia de Paris, casa-se com Pilar Juncosa, e tem sua primeira filha, Dolores, em 1931.  Miró resolve se aquietar.  Nas suas sessões de terapia, porém, Miró se mostra incomodado com o sucesso, parece que qualquer coisa que ele pinte, vende, o que causa nele uma tremenda descrença na humanidade.

Junte-se a isso o desgosto pela situação política da Cataluña, que passava por uma guerra civil onde eventualmente perderia consideravelmente sua independência, tendo que subjugar-se a Madrid e à ditadura do General Franco.  Ainda mais triste para Miró, foi a má fase do seu querido FC Barcelona, que se tornou freguês de caderneta do arqui-rival Real Madrid na década de 1930.

Revoltado, Miró resolve pintar quadros feios, muito feios.  Espantar a clientela torna-se sua prioridade.  Não funcionou, o público adorou!!

Miró começa a aceitar o sucesso - 1940 - 1950


Toward the Rainbow - 1942
Cansado de tentar convencer o público a não gostar dele, Miró se conforma que nasceu com a bunda virada para a lua.  Começa a produzir de forma intensa, soltando um quadro novo a cada duas semanas.  Simplesmente pega uma tela e começa a enchê-la com figuras que lembram baratas, corvos e pássaros até encher a tela e então parte pra outra.  

Como era de se esperar, o público adorou!!














Miró amarra o cavalo na sombra - 1951 em diante

Já com a vida ganha, Miró já não contesta mais o fato de que vende qualquer coisa que fizer, e simplesmente se diverte pintando quadros que ficam prontos em 5 minutos.

(Miró conversando com Pablo Picasso numa mesa de bar em 1962)

- "Pablo, tou com uma puta preguiça hoje, acho que vou pintar um quadro todo laranja com 3 pontinhos pretos."
- "Pra que tanto? Pinta só dois..."
- "Verdade, dois tá bom né?"


Bleu III - 1961



Mural Paintings I - 1962








O público, é claro, adorou!!


minilua.com - site parceiro 

Saturday, January 26, 2013

Grandes pensadores for dummies

Como diria o famoso químico francês Antoine Lavoisier, "Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", ou, dito de forma um pouco mais acessível ao grande público: "O picadinho de hoje foi o bife de ontem e será o bolinho de amanhã".

Em resposta aos críticos literários que acusam o boraver de usar e abusar das mesmas fórmulas fáceis (ex: pensadores for dummies) para ganhar audiência, este post veste a carapuça e retoma a fórmula fácil, afinal o prêmio Nobel de literatura nunca foi o objetivo deste espaço.


Charles Darwin - Naturalista Britânico - 1809-1882 - o treinador da "seleção natural"

Em seu livro de 1859, "A Origem das Espécies" (do original, em inglês, On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), Darwin introduziu a ideia de evolução a partir de um ancestral comum, por meio de seleção natural.  


Nesse livro, Darwin apresenta evidências abundantes da evolução das espécies, mostrando que a diversidade biológica é o resultado de um processo de descendência com modificação, onde os organismos vivos se adaptam gradualmente através da selecção natural e as espécies se ramificam sucessivamente a partir de formas ancestrais.

As espécies que sobreviveram ao teste do tempo foram, não necessariamente as mais fortes, mas aquelas que melhor souberam se adaptar às constantes mudanças ocorridas em seu habitat.



Seguidores de Darwin no Futebol:

Dadá Maravilha (o homem que pára no ar):  


O famoso goleador é o quinto maior artilheiro do futebol brasileiro com 926 gols. Perde apenas para Túlio Maravilha (seu irmão) com 978 gols, Romário com 1006 gols, Arthur Friedenreich, com 1239 gols, e Pelé, com 1284 gols.

Assim como outros goleadores (seu irmão Túlio um exemplo clássico), foi muitas vezes criticado por "não saber jogar futebol, apenas marcar gols".  Como Gol é o que decide a partida, muitos foram os clubes que preferiram ignorar os críticos e escalar Dadá.

Dadá era um grande conhecedor da teoria de Darwin e sabia, por exemplo, que ficando dentro da área aumentava consideravelmente duas chances de ser escalado pela "seleção natural".  Dele é a frase: "A área é o habitat natural do goleador, nela ele está protegido pela constituição, se for derrubado é pênalti".

Dadá foi ao extremo do darwinismo ao adquirir intencionalmente mutações genéticas que lhe deram um diferencial competitivo na evolução das espécies:  a capacidade de "parar no ar", incomum entre seres humanos.  Segundo o próprio Dadá "Só existem três coisas que param no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá Maravilha."


Seguidores de Darwin na Música:

Gloria Gaynor (celebrando a sobrevivência de sua espécie)
"At first, I was afraid, I was petrified
Kept thinking, I could never live without you by my side
...
Oh, no, not I, I will survive
Oh, as long as I know how to love, I know I'll stay alive
I've got all my life to live, I've got all my love to give
And I'll survive, I will survive, hey, hey"

Titãs (dando uma de "nostradamus" e querendo adivinhar que espécies vão sobreviver)
"Onçinha pintada,
Zebrinha listrada,
Coelhinho peludo,
Vão se foder!
Porque aqui na face da terra
Só bicho escroto é que vai ter!"

Titãs (entregando na mão do mestre o futuro das espécies)
"Darwin, agora é com você
Sei que não vai contar
Que espécie vai sobreviver..."



Isaac Newton - Físico e Matemático Britânico - 1642-1726 - o cara da "Apple"

Sua obra, Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, é considerada uma das mais influentes na história da ciência. Publicada em 1687, esta obra descreve a lei da gravitação universal e as três leis de Newton, que fundamentaram a mecânica clássica.
Mecânica Clássica, foi o primeiro a demonstrar que os movimentos de objetos, tanto na Terra como em outros corpos celestes, são governados pelo mesmo conjunto de leis naturais.

Além da famosa lei da gravidade, ficou famoso pelas suas "3 leis", citadas abaixo:


Lei 1 - Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças imprimidas sobre ele.

Lei 2 - A mudança de movimento é proporcional à força motora imprimida, e é produzida na direção da linha reta na qual aquela força é imprimida.

Lei 3 - A toda ação há sempre oposta uma reação igual, ou, as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas a partes opostas. (embora Newton nunca tenha admitido em vida, a inspiração para a sua terceira lei veio ao ler as demonstrações contábeis da sua empresa, mais especificamente da explicação do seu contador de que para todo um débito existe um crédito de igual valor, em sentido contrário).

"Contestadores" de Newton no Futebol:

A literatura futebolística é mais rica em pensadores que buscaram refutar os princípios físicos de Newton do que em seus seguidores.  Além do supracitado Dadá Maravilha (que era seguidor de Darwin mas divergia de Newton e sua lei da gravidade com aquela história de "parar no ar"), temos alguns bons exemplos de personagens que buscaram, quase sempre sem sucesso.

Galvão Bueno e a força motriz da grama molhada:

Alguém já ouviu o nosso querido e eterno narrador Galvão Bueno proferir o seguinte comentário (...ficou difícil pro goleiro porque a bola quicou na grama molhada e ganhou velocidade...).  Pois é, seguindo as duas primeiras leis de Newton este fenômeno só seria possível se a grama molhada imprimisse algum tipo de força motriz à bola, o que nunca foi provado cientificamente.  Estaria aí a solução de energia alternativa, limpa e renovável que sempre buscamos?  Estradas de grama molhada onde os carros ganhariam velocidade sem gastar um litro sequer se gasolina?  Por via das dúvidas o torneio de tênis de Wimbledon interrompe os jogos em dias de chuva, imagina o que poderia acontecer com aqueles saques de 200 km/hora na grama molhada....

Vicente Feola, treinador da seleção de 1958, tentando negar a lei da ação e reação:

- "Garrincha, é o seguinte. Você pega a bola pelo canto, entra na área, dribla o zagueiro russo e toca pro Vavá fazer o gol."
(Garrincha, que apesar de ter fama de pouco escolarizado, conhecia bem a terceira lei, retruca):
- "Tudo bem professor. Mas você também combinou isso com o zagueiro russo?"

João Pinto, jogador português, não entendendo a "gravidade" da situação:

"O meu clube estava à beira do precipício, mas tomou a decisão correta: deu um passo à frente."


Seguidores de Newton na Música:

Placebo (reconhecendo a lei da gravidade, e que dela não há como escapar...)
I'm on sinking sand
Gravity
No escaping gravity
Gravity

Raul Seixas (citando o mestre Newton em um de seus maiores sucessos...)
"José Newton já dizia:
  Se subiu tem que descer
Quem não tem colírio usa
    óculos escuros
Só com a praia bem deserta é
    que o sol pode nascer
Quem não tem colírio usa
    óculos escuros
A banana é vitamina que
   engorda e faz crescer"




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Wednesday, January 23, 2013

Futurismo irresponsável - O filho coletivo




A idéia do "futurismo irresponsável" é pensar no futuro sem as amarras éticas e culturais do presente, já que o presente já se livrou de uma série de amarras éticas e culturais do passado...

Uma idéia que nos parece estranha hoje mas que fará todo o sentido em 20, 30 anos, será a do "filho coletivo".
Se temos cada vez menos tempo para cuidar dos nossos filhos e se custa cada vez mais caro mantê-los e prepará-los para o mundo competitivo que os aguarda, nada mais natural que maximizemos estes dois recursos escassos (tempo e dinheiro), nos associando em grupos ampliados de pessoas em torno de um só filho. Nasce o conceito do filho coletivo. Se em 1950 um casal tinha seis filhos, passou a ter dois em 1980 e hoje tem apenas um, é natural esperarmos que o casal do futuro tenha 0.5 ou 0.2 filhos, compartilhando-o com outros.
O conceito é simples, porém ainda precisará vencer algumas barreiras jurídicas e culturais para se tornar realidade: um grupo de amigos se junta com o intuito de criar uma criança, de preferência uma criança que não seja filho biológico de nenhum deles para não gerar qualquer tipo de vinculo diferenciado (um problema menor em um mundo onde pouquíssimas crianças serão geradas por inseminação natural). Além da óbvia vantagem financeira, um filho coletivo seria mais coerente com a vida atarefada dos novos tempos. Este novo formato proporcionará a cada pai ou mãe um determinado tempo com o rebento, tempo suficiente para preencher a carência afetiva e o senso paternal / maternal de cada um, mas insuficiente para que se aborreçam com o pesado dia a dia que acompanha a criação de um filho. Além disso, com vários pais e mães, a criança terá a oportunidade de absorver os mais diversos talentos e aptidões destas pessoas, tornando-se necessariamente alguém mais polivalente e talentoso que a média dos seus colegas. Um projeto colaborativo, uma tendência demográfica irrefutável. Ainda veremos, algum dia, um grupo de seis pais e um filho na capa da Veja, estipulando um novo padrão de comportamento social.
O núcleo familiar tende a ficar mais flexível. Hoje vemos cada vez mais pessoas morando sozinhas, ou em núcleos familiares reduzidos. A idéia de que um casal deve morar junto aos poucos vem sendo questionada, e casais começam a morar separado por opção. Os relacionamentos duram menos tempo e a idéia de juntos para sempre vai se tornando uma utopia. O percentual declarado de homossexuais (que na prática não podem ter filhos biológicos) vem aumentando, assim como o de bissexuais (que por definição não se satisfazem, no longo prazo, com um só parceiro). Junte-se a isso a idéia de que o filho não será mais de um casal, mas de um grupo, e temos um conceito expandido de família. No final disso tudo as pessoas morarão sós ou em grupos, mas estes grupos terão menos a ver com relações consangüíneas e hereditárias, e mais com relações afetivas e não exclusivas. O lar do futuro pode ser composto de três adultos, um idoso e uma criança, que podem não ter laços de sangue ou relacionamento conjugal, mas que se gostam, se ajudam e vivem em uma certa harmonia formando, portanto, uma família, por que não?
Outra ruptura no conceito tradicional de família deve vir junto com a evolução da engenharia genética. É difícil imaginar que na segunda metade deste século as mulheres ainda carreguem um feto em seu corpo por nove meses. A opção de uma gravidez completa “in vitro” sofrerá, a princípio, uma forte oposição cultural, principalmente de grupos religiosos, mas eventualmente passará de exceção à regra. Sejamos práticos, pra que passar nove meses carregando um bebê na barriga quando pode-se manter o corpo inalterado e ir visitar o feto no laboratório mais próximo sempre que quiser? No laboratório o feto terá perto de 100% de chances de sobrevivência, não estando exposto a acidentes ou doenças, “perder o bebê” será um conceito ultrapassado. Dependendo da evolução da engenharia genética talvez esperar nove meses não seja mais necessário. Num mundo onde as pessoas se preparam cada vez mais antes de ter um filho, este período obrigatório de preparação biológica deixa de fazer sentido.
Em algum momento surgirá a dúvida: prefiro um filho que se pareça comigo ou com o Brad Pitt? Com um mundo de possibilidades para alterar (e melhorar) geneticamente o DNA do rebento que vem por aí será cada vez mais tentador escolher um filho mais bonito e inteligente que o filho do vizinho, ao invés de um que herde seu pé chato ou seu cabelo ruim. Mais importante do que isso é a questão ética que começa a ficar confusa quando levamos em conta a saúde da criança: será que eu quero ter um filho da forma “natural” que herdará minha predisposição genética a diabetes ou a doenças do coração ou prefiro escolher um gene “melhorado”, com chances consideravelmente menores de desenvolver uma destas doenças? Abrir mão disso será considerado uma irresponsabilidade.
A partir do momento em que se elimina a gravidez, se expande o conceito do filho coletivo (inclusive com um arcabouço jurídico que sustente esta prática), e se torna possível escolher, através de um cardápio, as características desejadas para a criança, começamos a nos distanciar do conceito tradicional de reprodução. Filhos gerados da forma tradicional ainda existirão por algum tempo, mas sofrerão cada vez mais ao ter que competir com estes “super filhos”, predispostos geneticamente a se tornarem bem sucedidos. Os filhos naturais se transformarão, naturalmente, em cidadãos de segunda classe, e servirão eles próprios de desincentivo para a próxima geração de pais. Uma coisa não mudará com o tempo: sempre vamos querer o melhor para os nossos filhos, e se teremos apenas um, ou parte de um filho, e colocaremos nele todas as nossas “fichas”, não quereremos errar, e não correremos riscos.

Este texto é uma versão editada e atualizada de um texto meu de 2009, como na época esse blog era pouquíssimo visitado é provável que o texto seja inédito para a maior parte dos leitores.



site parceiro - minilua.com 

Sunday, January 20, 2013

Placas de orientação aos foliões de Olinda


Ainda no intuito de prestar informações importantes aos foliões, a prefeitura de Olinda vai espalhar pela cidade alta uma série de placas informativas, principalmente voltadas aos marinheiros de primeira viagem, abaixo estão algumas que já foram divulgadas:



















Gostou?


Friday, January 18, 2013

Guia para o Paulistano no Carnaval de Olinda



by Pedro Tolentino


Eu acho é pouco, é bom demais...
Bom, não tem como negar, Recife está na moda.

Morei por 9 anos em São Paulo, e nos últimos anos comecei a ouvir cada vez mais frases do tipo:  "nossa meu, que legal, Recife é o máximo, curto altas bandas de lá, etc".  Em alguns shows de bandas pernambucanas, como Eddie, Mombojó e Nação Zumbi, os paulistanos eram os mais aficionados.  A festa pernambucana "Sem Loção", em sua versão paulistana, foi citada pela Veja SP como "festa do ano".

Recife, de repente, virou cult.  Na cabeça de muitos paulistanos Recife é o último santuário da cultura independente, um lugar utópico onde músicos, escritores, cineastas e afins podem criar com certa liberdade, ainda pouco contaminados pelo "sistema".  Isso é parcialmente verdade, Recife deve ter uma proporção de artistas por habitante acima da média nacional, e tem uma cena cultural e uma vida noturna "alternativa" interessante.

Acho que parte disso vem do fato de que somos bairristas. Mais de 95% da população de Recife, por exemplo, torce por um dos três times da capital (Náutico, Sport ou Santa Cruz), ao contrário de outras capitais do nordeste onde afloram flamenguistas e vascaínos que nunca sequer pisaram no Maracanã ou São Januário.

Neste cenário é natural que alguns paulistanos, principalmente aqueles meio intelectuais, meio de esquerda, se interessem em vir para Recife / Olinda no carnaval, época do ano em que aflora no pernambucano a "embriaguês do frevo", uma enfermidade que entra na cabeça, depois vai descendo e acaba no pé.

A grande realidade no entanto, é que o paulistano meio intelectual, meio de esquerda, aquele que frequenta a Augusta, vê filmes no Reserva Cultural e não perde um show no SESC Pompéia, ainda não é "roots" o suficiente para encarar Olinda numa boa (vou focar em Olinda, pois o carnaval noturno do Recife Antigo é bem mais civilizado) sem antes se preparar psicologicamente para a experiência que vai enfrentar.  Me sinto, portanto, na obrigação de ajudá-los.

Preparação (faltam 20 dias):

(Passo 1) - Decore 5 músicas (são os únicos frevos "cantados" que você vai ouvir durante o carnaval), e são os mesmos desde que eu me lembre.

- Evocação número 1 (Filinto, Pedro Salgado)
- Madeiras do Rosarinho (ou Madeira que cupim não Rói)
- Hino do Elefante (ou "Olinda quero Cantar")
- Hino da Pitombeira (bate bate com doce eu também quero)
- Voltei Recife

Com essas 5 você se vira, além dessas você também vai ouvir mais 3 frevos, basicamente instrumentais (que até têm letra mas que a maioria dos pernambucanos não sabe cantar):

- Vassourinhas
- Hino do Ceroulas (popopopó)
- 86 só vai dar Arraes (não faço idéia do nome oficial deste frevo).

Este repertório de 8 canções servirão de trilha para 90% do seu tempo de folia, a mais nova das 8 (Voltei Recife), é de meados da década de 70.

(Passo 2) - Comece a beber cerveja quente.  Vá aumentando a temperatura aos poucos, até conseguir beber Skol a temperatura natural.  Isso é importante porque é muito provável que "Skol Latão" seja a única opção de cerveja nas ladeiras de Olinda, e exceto pelos primeiros 3 goles, cerveja quente é o que você vai beber.

(Passo 3) - Pratique o desapego à carteira e ao celular.  Eles não devem ser levados ao carnaval (iPhone então, nem pensar).  O carnaval de Olinda não é violento, nesses anos todos vi pouquíssimas brigas, e a ocorrência de assaltos a mão armada ou coisas do gênero é rara.  Mas no empurra empurra das ladeiras, mãos desconhecidas podem entrar em seus bolsos.  Leve só o dinheiro que vai gastar, vá sem lenço e sem documento (no máximo uma cópia da identidade).

(Passo 4) - Treine panturrilha e pegue o metrô da Sé na hora do rush algumas vezes. Faça isso, de preferência, já bebendo uma cerveja meio quente (depois não digam que eu não avisei...)

(Passo 5) - Peça dicas de pessoas locais para não entrar em programações furadas.  Recomendo o "Eu Acho é Pouco", que sai em Olinda no sábado e na terça às 17h, (vá de vermelho e amarelo).

(Passo 6) - Se exponha a situações de calor escaldante.  Utilizar a sauna úmida da sua academia é uma boa opção pra ir treinando.

(Passo 7) - Escolha um tênis para usar no carnaval, sabendo que o mesmo será descartado na quarta feira de cinzas (de preferência em um coletor apropriado para "lixo tóxico")

(Passo 8) - Crie anticorpos!!  20 dias bebendo água da SABESP e comendo churrasquinho grego em porta de estádio é recomendável, se é pra ter "piriri", que seja antes do carnaval...

Durante o Carnaval:

No caso de Olinda é recomendável já chegar bêbado, faça um esquenta em casa ou no hotel,  caso contrário você pode se sentir intimidado com sensações desagradáveis como cheiro de xixi, gente suada encostando em você, empurra empurra, etc.  O quanto antes você conseguir ignorar estes pormenores melhor...  O ideal é já entrar no primeiro bloco e ficar sujo e suado você também, a sensação de que acabou de sair do banho pode criar uma barreira psicológica...

Use chapéu até as 4 da tarde, o "sol na moleira" não é brincadeira.  

Mantenha uma certa distância dos bonecos gigantes pra não levar um "pedala" de um deles.

Se fantasie de algo muito ridículo. Não se preocupe, haverão centenas ou até milhares de foliões mais ridículos do que você.  

Nunca, jamais, pergunte a alguém onde compra o abadá pro bloco X ou "qual é a música da moda", você não está em Salvador.

Se um moleque estiver anunciando o slogan "olha o sucesso, olha o sucesso", ele não está vendendo cigarros Hollywood.  Sucesso é a gíria local para Loló (a versão pobre, e bem piorada, do lança perfume, que desapareceu do carnaval já há alguns anos).

Prove, mas tome cuidado para não exagerar nas bebidas com nomes exóticos que são marca registrada de Olinda: O "Pau do Índio" é a "marca" mais famosa, mas existem outras com nomes igualmente sugestivos.  Todas são de formulação não revelada.

Vale à pena?

Bom, apesar do texto falar mais de dificuldades do que de benefícios, vou a Olinda todos os anos (não mais em todos os 4 dias, como em outrora, pois não aguento o tranco).

Portanto, se me perguntas se o carnaval de Olinda é bom, eu diria que é sensacional.  Pois mesmo com o empurra empurra, o cheiro de mijo, a cerveja quente e os demais inconvenientes supracitados continuo voltando.  Ser bom com cerveja gelada, ar condicionado e banheiro limpo e confortável é fácil...

Apesar do  "Eu Acho é Pouco" sair apenas às 17h, e por isso ter um percurso relativamente tranquilo (o carnaval de Olinda é essencialmente diurno), na saída o aperto é grande.  Quase como num ritual de passagem, desço o Varadouro como uma sardinha enlatada (meus contemporâneos já não fazem mais isso e esperam o bloco lá embaixo), dividindo com mais 10 pessoas um mísero metro quadrado.  Nessa, hora alguém sempre solta o comentário:  ninguém falou que ia ser fácil!  E você achava que a torcida do Corinthians é que tinha um bando de louco.

Deve ser a tal da "embriaguês do frevo"...



Gostou? Você acabou de ler o post de maior audiência do boraver.com, seguem abaixo os links para os posts que vêm logo atrás, do segundo ao quinto colocado, que tal dar uma olhada?

"Carnaval na Bahia, 8ª maravilha (7 posições atrás de Olinda)" "Filosofia da sessão da tarde - Karate Kid"
"João Gilberto e o RH"
"Liga pra Gente"
 "É Carnaval!! As Aventuras de Cabral no Espaço Sideral"

Thursday, January 17, 2013

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Monday, January 14, 2013

Isto é Dinheiro








REUTERS - 14/01/2013 - 22:00
Sir Anthony

O ministro da fazenda, Guido Mantega, acaba de apresentar a proposta do governo para as novas cédulas de Real que passarão a circular até o final de junho deste ano.

A idéia é utilizar algumas das imagens que hoje já são utilizadas em carteiras de cigarro, uma vez que o dinheiro, assim como o cigarro, deve ser usado com moderação e pode causar dependência.

Outras mensagens alertando para os riscos do uso indevido do dinheiro também serão veiculadas.

Vejam abaixo como ficarão as novas cédulas:







Gostou? Veja Também:

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Saturday, January 12, 2013

Thursday, January 10, 2013

Liga pra Gente!!


A BBC (Boraver Business Consulting) traz hoje uma oportunidade de negócio pra quem quer fazer muito dinheiro. Fique rico agora, por que esperar??? Inicie um empreendimento de sucesso! Vá em frente! Concretize a minha idéia e fique milionário, como agradecimento basta me pagar uma cerveja.

Tomem nota que lá vai a idéia:


O empreendimento do futuro se chamaria o “liga pra gente”, um super serviço de entregas multi-variado. Precisou de alguma coisa? Liga pra gente!!



2 horas da manhã, você está em casa bebendo com amigos e acabou o gelo. Liga pra gente!!

3 horas da manhã, você está na casa da sua namorada e acabaram as camisinhas. Liga pra gente!!


4 horas da manhã, bateu aquela vontade incontrolável de fumar um charuto Cohiba Robusto e comer um quindim. Liga pra gente!!


Acabou o cigarro, deu vontade de assistir “De Volta para o Futuro II”, quer a playboy de 1986 com a Maitê Proença na capa, Liga pra gente!!


O LPG não seria apenas um serviço de entregas, seria um estilo de vida!!! Nada de gravar vários números de serviços de entregas, faça tudo pelo LPG!! Até serviços banais como entrega de pizza seriam melhores com o LPG.

- Alô, LPG, passa na pizzaria e pega uma quatro queijos pra mim, mas faz um favor, pega também uns 3 churros com o velhinho da esquina para a sobremesa.
- Pois não senhor, mais alguma coisa?
- Só isso mesmo, ah, e fala pro velhinho que o time dele é uma merda.
- Pois não senhor.

Obviamente que a taxa de serviços cobrada pelo LPG não seria barata, porém resolver os seus problemas sem sair de onde está não tem preço. O grande diferencial do LPG seria não ter uma grade de serviços. O que o cliente quiser, o LPG arruma (às vezes vai sair caro, mas o LPG arruma). Aliás, resolver os problemas mais absurdos seria uma questão de orgulho para o LPG, e isso geraria tanta propaganda boca a boca que o serviço nem precisaria gastar com mídia.

- Cara, semana passada eu esqueci de levar cueca limpa pra trocar na academia, liguei pro LPG e eles me trouxeram uma cueca nova em 15 minutos!!
- E eu então, disse pra minha mulher que ia jogar tênis e fui pro motel com minha amante, na saída liguei pro LPG e pedi um saquinho de saibro pra sujar minha meia, eles entregaram em 15 minutos!!
- Esse LPG é fantástico mesmo né?
- Ô

Enfim, o mundo seria um lugar melhor para viver com o LPG, ninguém precisaria sair de casa de madrugada pra resolver problemas banais, as mulheres grávidas não precisariam conter seus desejos de comer caqui com pimenta, ninguém deixaria de jogar a pelada do sábado por esquecer a chuteira em casa, ninguém ficaria sem gelo às 2 horas da manhã.

Empreendedores do mundo, aproveitem, o LPG é o negócio do futuro!! 


Agora chega, peguem a idéia e desenvolvam, façam seus "business plans", estudos de viabilidade, matrizes de risco e todas estas coisas chatas, Se o LPG não der certo não é problema meu, mas que a idéia é boa...


Gostou?  Leia também:


O internato do futuro - "Bandeirantes Marriott - O Resort Educacional"